
A revolução da inteligência artificial está desencadeando uma disputa mundial por infraestrutura digital, e o Brasil pode ser um dos maiores vencedores. Segundo projeção apresentada pela AZ Quest Investimentos, o país tem potencial para atrair US$ 1 trilhão em investimentos em data centers nos próximos cinco anos, impulsionado por uma vantagem que poucos países possuem: uma das matrizes energéticas mais limpas e abundantes do planeta.
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O avanço acelerado da IA criou um novo gargalo global. Diferentemente do que muitos imaginam, o principal desafio já não é a falta de chips, capital ou profissionais especializados. O problema agora é a disponibilidade de energia para alimentar a nova geração de data centers.

Brasil ganha vantagem inédita na corrida da inteligência artificial
Para Walter Maciel, economista e CEO da AZ Quest Investimentos, o Brasil reúne condições únicas para se tornar um dos maiores polos mundiais de infraestrutura para inteligência artificial.
“O país aparece como uma grande solução global”, afirma Walter Maciel, economista e CEO da AZ Quest Investimentos, no episódio 190 do podcast Outliers InfoMoney. “Esse mercado deve crescer cinco vezes nos próximos cinco ou seis anos. Se a gente fizer tudo certo, pode crescer cinquenta vezes em dez anos.”
Segundo o executivo, um relatório da Coatue Management, fundo de hedge americano com mais de US$ 50 bilhões investidos no setor de tecnologia, estima que o mundo viverá um ciclo de aproximadamente US$ 5 trilhões em investimentos em infraestrutura digital.
“Um trilhão desse pode vir para o Brasil”, afirma Maciel aos apresentadores do podcast: Clara Sodré, analista de fundos da XP, e Fabiano Cintra, head de Seleção de Fundos da XP.
Big Techs aceleram investimentos bilionários

A explosão da inteligência artificial levou gigantes como Meta, Microsoft, Google, Amazon e Oracle a ampliarem drasticamente seus investimentos em infraestrutura.
Juntas, as empresas devem investir cerca de US$ 730 bilhões em despesas de capital (capex) em 2026, praticamente o dobro do registrado no ano anterior.
Grande parte desses recursos será destinada à construção de data centers e à expansão da capacidade energética necessária para operar modelos avançados de inteligência artificial.
O problema é que os principais mercados globais já enfrentam escassez de energia.
Cinco estados americanos decretaram moratórias para novos data centers em determinadas regiões. Em Singapura, a entrega de nova capacidade energética pode levar dez anos. Em Frankfurt, o prazo chega a sete anos. Já no norte da Virgínia, considerado o maior polo mundial de data centers, novas conexões podem demorar até oito anos.
Energia renovável coloca o Brasil em posição privilegiada
Enquanto diversas economias enfrentam limitações energéticas, o Brasil oferece um diferencial estratégico.
“Nos Estados Unidos, a energia renovável representa 25% da matriz. No mundo, 30%. No Brasil, 92%”, afirma Maciel. “Temos uma condição única”.
Além da ampla oferta de energia limpa, o país também avança em projetos de armazenamento por baterias, que permitirão aproveitar melhor a geração solar e eólica e atender à crescente demanda dos data centers.
“O maior ciclo de investimento da nossa história”
Para Walter Maciel, a expansão da infraestrutura digital poderá transformar a economia brasileira.
“O Brasil tem a oportunidade de ter o maior ciclo de investimento da história”, afirma. “Lá fora já é, sem disputa, o maior ciclo de investimento da história. Já ultrapassou, a preço presente, os ciclos de investimento em trens, na internet, o processo de industrialização do final do século XIX.”
Um dos exemplos citados é a Scala Data Centers, maior operadora de data centers da América Latina, responsável por aproximadamente 40% da capacidade instalada no Brasil.
Segundo Maciel, a empresa registrou crescimento anual composto de 52% nos últimos cinco anos, com margem de 72%. Seu novo campus em Eldorado do Sul (RS) deverá ter capacidade quase quarenta vezes superior ao mercado brasileiro existente há apenas cinco anos.
Paraguai já avança na disputa pelos data centers
Apesar das vantagens brasileiras, países vizinhos também buscam aproveitar a corrida global.
Segundo Maciel, o Paraguai tem utilizado o excedente energético de Itaipu para atrair empresas internacionais.
“Ver o Paraguai dar banho na gente, em estratégia e em visão de longo prazo, me incomoda”, diz Maciel.
Ainda assim, ele acredita que a capacidade paraguaia será limitada.
“Uma hora esse negócio vai ficar totalmente ocupado, e o radar vai voltar para cá”, afirma.
Setor privado deve liderar nova onda de investimentos
Na avaliação do CEO da AZ Quest, a expansão da infraestrutura digital dependerá principalmente do capital privado.
“Esse ano, temos previsão de R$ 3 trilhões de gastos e R$ 40 bilhões de investimento. Entre 2027 e 2028, as despesas obrigatórias deverão ultrapassar as receitas, o governo nem poderá decidir no que gastar”, diz Maciel. “Não existe economia capaz de se desenvolver sem infraestrutura. O setor privado vai ter que arcar com isso tudo.”
Para investidores, Maciel compara o mercado de infraestrutura digital à construção de uma rodovia durante uma corrida tecnológica.
“Você pode apostar nos carros ou apostar na pista. A pista não vai dar o mesmo retorno, mas é um investimento mais seguro”, diz.
Com o avanço acelerado da inteligência artificial e o aumento da demanda global por capacidade computacional, especialistas apontam que o Brasil reúne condições para assumir um papel estratégico no mercado mundial de data centers, desde que consiga transformar sua vantagem energética em novos investimentos.
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Redação tecflow
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