

Laura Fryer afirma que a Sony esperou a Rockstar dar o primeiro passo e alerta que jogadores podem perder o controle sobre seus próprios jogos
A decisão da Sony de encerrar gradualmente a produção de jogos em mídia física a partir de 2028 continua gerando repercussão na indústria. Agora, quem entrou no debate foi Laura Fryer, uma das fundadoras do Xbox, que fez duras críticas ao futuro exclusivamente digital defendido pela PlayStation.
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Em um vídeo publicado no YouTube, Fryer afirmou que a mudança representa muito mais do que o fim dos discos: ela acredita que os consumidores perderão direitos sobre os jogos que compram e que o movimento foi cuidadosamente planejado pela Sony após a Rockstar Games abrir caminho com Grand Theft Auto VI (GTA 6).
“A Sony esperou a Rockstar dar o primeiro passo”
Segundo Fryer, a decisão da Rockstar de lançar GTA 6 sem um disco físico, oferecendo apenas uma caixa com código para download, serviu como teste para medir a reação do público.
Na visão da ex-executiva do Xbox, a Sony preferiu aguardar esse movimento antes de anunciar oficialmente o abandono da mídia física.
“A Sony esperou a Rockstar dar o primeiro passo, aceitar as críticas e agora está se esforçando ao máximo para tornar isso o novo normal”, afirmou.
Fundadora do Xbox relata experiência que mudou sua visão sobre jogos digitais

Fryer também compartilhou uma experiência pessoal para explicar por que enxerga riscos no avanço do formato digital.
Ela contou que investiu centenas de dólares em músicas para Rock Band, mas perdeu o acesso ao conteúdo após o encerramento do Xbox 360 e questões relacionadas ao licenciamento das músicas.
Segundo ela, esse episódio mostra que comprar um jogo digital nem sempre significa possuir o produto permanentemente.
“Finalmente desistimos. Perdemos nosso jogo favorito”, afirmou.

Sony diz que 85% das vendas são digitais, mas Fryer contesta números

Outro ponto levantado por Fryer envolve a estatística frequentemente utilizada pela Sony de que 85% das vendas no PlayStation já acontecem em formato digital.
Segundo ela, esse percentual inclui milhares de jogos independentes que nunca receberam edição física.
Quando existe escolha entre disco e download, afirma Fryer, muitos jogadores continuam preferindo comprar a versão física.
Ela cita dados divulgados após um vazamento interno de 2023 que indicavam que mais de 70% das vendas físicas de exclusivos como Ghost of Tsushima e Ratchet & Clank: Rift Apart ocorreram em disco.
O verdadeiro interesse das empresas, segundo Fryer
Na avaliação da fundadora do Xbox, a mudança para um mercado totalmente digital beneficia diretamente fabricantes e distribuidoras.
Entre as vantagens apontadas por ela estão:
- eliminação do mercado de jogos usados;
- maior controle sobre distribuição;
- redução de custos de fabricação dos consoles;
- fim da concorrência da biblioteca física dos jogadores.
Segundo Fryer, essa estratégia não seria exclusiva da Sony.
Ela afirma que empresas como Microsoft e grandes estúdios de Hollywood caminham na mesma direção ao priorizar downloads, conexões obrigatórias e mídias físicas que funcionam apenas como códigos de ativação.
“Digital é conveniente… até alguém decidir que você já jogou o suficiente”

Apesar de reconhecer a praticidade dos jogos digitais, Fryer afirma que eles tornam os consumidores dependentes das plataformas.
Ela cita até mesmo o Steam como exemplo positivo atualmente, mas alerta que nenhuma empresa é imune a mudanças de estratégia no futuro.
“O digital é conveniente até alguém decidir que você já teve o suficiente.”
Para ela, a única forma de influenciar o mercado continua sendo o comportamento dos consumidores.
A ex-executiva recomenda apoiar iniciativas como o movimento Stop Killing Games, incentivar desenvolvedores independentes e valorizar plataformas que preservem a propriedade dos jogos adquiridos.
O debate sobre a posse digital deve crescer nos próximos anos
A discussão em torno da mídia física ganhou força após a confirmação de que GTA 6 utilizará uma embalagem com código para download, sem disco incluído.
Agora, com a PlayStation confirmando o encerramento gradual da produção de jogos físicos até 2028, especialistas acreditam que a indústria pode estar entrando em uma nova era, na qual possuir um jogo deixará de significar, necessariamente, ter controle permanente sobre ele.
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Redação tecflow
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