

Nova portaria do Executivo Federal amplia carreiras de tecnologia, cria seis especialidades inéditas, atualiza valores de referência e abre espaço para contratos mais automatizados com Inteligência Artificial
A Inteligência Artificial acaba de ganhar um papel ainda mais estratégico dentro da administração pública brasileira. O Governo Federal oficializou a criação do perfil de Especialista em Infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) como parte da reformulação do modelo de contratação de serviços de Tecnologia da Informação (TI) utilizado pelos órgãos do Executivo.
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A novidade está prevista na Portaria SGD/MGI nº 5.921, publicada em 22 de julho, que entra em vigor em 1º de setembro. A norma amplia de 14 para 20 os perfis profissionais utilizados como referência para contratação de empresas terceirizadas de tecnologia e atualiza os custos estimados dessas contratações.
Além da criação de novas especialidades, a medida também altera a forma como o governo avalia contratos de TI, incentivando maior uso de automação, computação em nuvem e Inteligência Artificial.
Especialista em IA entra oficialmente na estrutura do governo
A principal novidade é o reconhecimento oficial do Especialista em Infraestrutura de Inteligência Artificial, uma função altamente valorizada pelo mercado privado.
Ao contrário do que muitos imaginam, esse profissional não será responsável por desenvolver modelos de IA, mas por manter toda a infraestrutura que permite seu funcionamento.
Entre as atribuições estão:
- gerenciamento de clusters de GPUs utilizados para treinamento e execução de IA;
- administração de bancos de dados vetoriais;
- operação de pipelines de MLOps;
- gerenciamento de mecanismos de inferência;
- sustentação da arquitetura necessária para aplicações baseadas em Inteligência Artificial.
Até agora, essas atividades precisavam ser enquadradas em cargos mais genéricos, como especialistas em nuvem ou analistas de infraestrutura.
No mercado privado, profissionais com esse perfil podem receber salários superiores a R$ 35 mil, dependendo da experiência e da complexidade dos projetos.

Governo cria mais cinco especialidades em tecnologia
Além do Especialista em Infraestrutura de IA, a portaria inclui outros cinco novos perfis:
- Especialista em Gerenciamento de Custos em Nuvem (FinOps);
- Analista de Teste de Intrusão (Pentest);
- Analista DevOps;
- Analista DevSecOps;
- Especialista em Práticas Sustentáveis de Infraestrutura de TIC.
As novas funções refletem demandas cada vez mais presentes nas empresas de tecnologia, como automação, segurança ofensiva, otimização de custos em cloud computing e sustentabilidade de data centers.
Governo aposta em segurança ofensiva
Entre as novidades, chama atenção o cargo de Analista de Teste de Intrusão, conhecido no mercado como o “hacker do bem”.
Esse profissional realiza ataques controlados contra sistemas para identificar vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por criminosos.
A criação do cargo, juntamente com o perfil DevSecOps, demonstra que o governo passa a institucionalizar práticas modernas de cibersegurança, aproximando-se das estratégias adotadas pelas grandes empresas globais.
Reajustes chegam a 68%
A nova regulamentação também atualiza a tabela salarial de referência utilizada para estimar os custos das contratações.
Os maiores reajustes foram:
| Cargo | Reajuste |
|---|---|
| Técnico Júnior em Manutenção de Equipamentos | 68% |
| Analista de Sistemas de Automação Júnior | 47% |
| Gerente de Suporte | 45,5% |
| Técnico de Suporte Júnior | 31,4% |
| Gerente de Infraestrutura | 25% |
É importante destacar que esses valores não representam os salários pagos aos profissionais, mas servem apenas como referência para calcular o custo estimado das contratações realizadas pelo governo.
Novo cálculo considera tributos, encargos e lucro
Outra mudança importante está na metodologia utilizada para calcular os custos dos contratos.
Além da parcela salarial, passa a ser considerado o chamado fator-k, um multiplicador que incorpora:
- tributos;
- encargos trabalhistas;
- benefícios;
- despesas administrativas;
- margem de lucro das empresas contratadas.
Até então, o governo utilizava um fator único de 2,28 para todas as funções.
Com a nova portaria, cada perfil profissional passa a ter um fator-k específico, variando entre 1,97 e 2,72. Em geral, os cargos com remuneração menor possuem fatores mais elevados, enquanto os perfis mais especializados utilizam multiplicadores menores.
Segundo o governo, essa mudança torna a estimativa de custos mais precisa e adequada à realidade de cada função.
Portaria abre espaço para equipes menores com uso de IA
Um dos pontos mais relevantes da nova regulamentação está na forma como o governo pretende contratar serviços de tecnologia daqui para frente.
A portaria revoga a regra que utilizava o custo mínimo de uma equipe como parâmetro para impedir propostas consideradas financeiramente inviáveis.
Na prática, empresas poderão apresentar projetos utilizando equipes menores, desde que demonstrem que a automação, a Inteligência Artificial e outras tecnologias conseguem manter os níveis de qualidade exigidos.
A mudança representa uma alteração significativa na lógica das contratações públicas.
Em vez de avaliar apenas o número de profissionais envolvidos, o foco passa a ser a capacidade de entrega, produtividade e eficiência operacional.
Nuvem, sustentabilidade e controle de custos entram na estratégia
A nova regulamentação também reforça tendências que vêm ganhando espaço no mercado global.
O perfil de Especialista em Gerenciamento de Custos em Nuvem oficializa práticas de FinOps, voltadas para otimizar o uso de infraestrutura em cloud computing e reduzir desperdícios.
Já o Especialista em Práticas Sustentáveis de Infraestrutura de TIC incorpora conceitos de Green IT e GreenOps, incluindo eficiência energética, redução do consumo de recursos, gestão do ciclo de vida de equipamentos e indicadores ambientais para data centers e serviços em nuvem.
Governo prepara contratos para a era da Inteligência Artificial
Com a Portaria nº 5.921, o Governo Federal atualiza seu modelo de contratação para acompanhar a transformação digital acelerada dos últimos anos.
A criação de novas especialidades, o reconhecimento da infraestrutura de IA como área estratégica, a valorização da segurança cibernética, da computação em nuvem e da sustentabilidade indicam uma mudança de paradigma na administração pública.
Mais do que ampliar cargos, a nova regulamentação sinaliza que os futuros contratos de tecnologia deverão priorizar automação, especialização técnica e resultados, reduzindo a dependência de grandes equipes e aproximando o setor público das práticas adotadas pelas empresas mais inovadoras do mercado.
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Redação tecflow
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