

A inteligência artificial e a computação em nuvem estão redefinindo a infraestrutura digital global. Um novo estudo da Arizton Advisory & Intelligence revela que o mercado europeu de data centers hiperescaláveis deve saltar de US$ 52,02 bilhões em 2025 para US$ 139,90 bilhões até 2031, registrando uma taxa média de crescimento anual (CAGR) de 17,93%.
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O avanço reflete uma corrida global pela expansão da capacidade computacional necessária para atender aplicações de IA generativa, computação de alto desempenho (HPC), serviços em nuvem e processamento massivo de dados. À medida que empresas digitalizam operações e treinam modelos cada vez maiores de inteligência artificial, cresce também a demanda por instalações capazes de oferecer alta densidade energética, conectividade e resfriamento avançado.
Esse movimento não se limita à Europa. No Brasil, o cenário segue a mesma direção. Segundo a Brasscom, o país deverá receber até R$ 2 trilhões em investimentos em tecnologias digitais entre 2026 e 2029, sendo a computação em nuvem e a inteligência artificial responsáveis pela maior parcela desses aportes. A entidade destaca que essas duas tecnologias serão os principais motores da expansão da infraestrutura digital brasileira nos próximos anos.

O crescimento da infraestrutura também coloca os data centers no centro da estratégia de transformação digital das empresas. De acordo com outro levantamento da Brasscom, o mercado brasileiro de data centers representa cerca de 50% dos investimentos da América Latina, consolidando o país como principal polo regional para operações de nuvem e serviços digitais.
Na Europa, a expansão é liderada por mercados como Reino Unido, Alemanha, Suécia e Espanha. O Reino Unido respondeu por aproximadamente 20,85% dos investimentos realizados em 2025, enquanto gigantes da tecnologia como Amazon Web Services (AWS), Google, Microsoft, Oracle, Alibaba e Tencent seguem ampliando suas operações para atender à crescente demanda por capacidade computacional.
A pesquisa da Arizton aponta que a computação em nuvem continua sendo o principal vetor dessa expansão. Empresas dos setores financeiro, saúde, manufatura, varejo, governo, telecomunicações e educação estão acelerando a migração de aplicações para ambientes cloud. Um exemplo citado é o Banco da Inglaterra, que assinou um acordo para migrar seus sistemas centrais para a Oracle Cloud, enquanto a Oracle anunciou um investimento de US$ 3 bilhões para expandir sua infraestrutura de nuvem e inteligência artificial na Alemanha.

Outro fator decisivo é a inteligência artificial. O treinamento e a execução de modelos avançados exigem servidores equipados com GPUs de alto desempenho, racks de maior densidade energética e sistemas de resfriamento capazes de dissipar grandes volumes de calor. Como consequência, operadores estão investindo cada vez mais em tecnologias como resfriamento líquido, refrigeração direta no chip e sistemas de imersão para suportar a próxima geração de data centers.
Esse cenário também começa a transformar o mercado brasileiro. Especialistas apontam que a expansão da IA está acelerando projetos de construção e modernização de data centers em diferentes regiões do país. Segundo análises recentes do setor, o Brasil pode receber entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em investimentos até 2030, impulsionado pela demanda crescente por inteligência artificial, serviços em nuvem e conectividade de alta capacidade.
Além da capacidade computacional, a eficiência energética tornou-se um diferencial competitivo. Os novos projetos priorizam baterias de íons de lítio para sistemas UPS, unidades inteligentes de distribuição de energia (PDUs), geradores movidos a combustíveis renováveis e plataformas avançadas de gerenciamento da infraestrutura (DCIM). O objetivo é reduzir o consumo energético, aumentar a disponibilidade e atender às metas de sustentabilidade sem comprometer o desempenho das cargas de trabalho de IA.
Outro destaque do relatório é a evolução da infraestrutura de rede. À medida que aplicações de inteligência artificial exigem volumes cada vez maiores de transferência de dados, operadores aceleram a migração para conexões superiores a 400 Gigabit Ethernet (400 GbE), preparando os ambientes para suportar aplicações distribuídas, inferência em tempo real e processamento de grandes modelos de linguagem.
A convergência entre inteligência artificial, computação em nuvem e infraestrutura digital indica que os data centers hiperescaláveis deixaram de ser apenas instalações de armazenamento de dados para se tornarem ativos estratégicos da economia digital. Nesse contexto, tanto Europa quanto Brasil vivem uma nova fase de investimentos, impulsionada pela necessidade de oferecer capacidade computacional suficiente para sustentar a próxima geração de aplicações baseadas em IA.
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Redação tecflow
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