
A recuperação de sistemas bancários após um ataque cibernético pode levar muito mais tempo do que o setor financeiro consegue suportar. Segundo uma análise da Everpure, baseada no estudo The State of Cyber Resilience, do Instituto Ponemon, os bancos levam, em média, 12 dias para restaurar aplicações de missão crítica após um incidente de segurança, um período considerado incompatível com a continuidade das operações essenciais.
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O levantamento evidencia que a recuperação de dados deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a representar um dos maiores desafios da resiliência cibernética das instituições financeiras. Em um cenário de ataques cada vez mais sofisticados, manter backups deixou de ser suficiente: a velocidade para restaurar serviços críticos tornou-se um diferencial estratégico.
Ataques cibernéticos colocam operações bancárias em risco
O estudo mostra que 36% de todos os dados armazenados pelas instituições financeiras são classificados como de missão crítica, o que amplia significativamente os impactos de um ataque de ransomware ou de outro incidente envolvendo comprometimento de dados.
Além disso, 31% do custo total de um ataque cibernético está diretamente relacionado à recuperação de dados íntegros e atualizados, evidenciando que a fase de recuperação representa uma parcela significativa dos prejuízos enfrentados pelas organizações.
Outro dado chama atenção: apenas 41% das empresas afirmam confiar plenamente na gestão de dados distribuídos entre ambientes híbridos e multicloud, cenário que dificulta ainda mais a restauração rápida das operações.

Principais indicadores do estudo
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Tempo médio para recuperar aplicações críticas | 12 dias |
| Dados considerados de missão crítica | 36% |
| Custos de ataques relacionados à recuperação de dados | 31% |
| Empresas confiantes na gestão de dados híbridos e multicloud | 41% |
Modelos tradicionais de recuperação já não são suficientes
De acordo com a Everpure, o cenário atual evidencia que muitos planos de recuperação foram desenvolvidos para responder a falhas de infraestrutura, indisponibilidades ou desastres físicos, mas não para enfrentar ataques que comprometem diretamente a integridade dos dados.
Segundo Douglas Wallace, diretor regional de Vendas da Everpure para a América Latina e o Caribe, essa mudança exige uma nova estratégia.
“O que muitos bancos ainda entendem como resiliência, recuperação de desastres e mecanismos de failover foi desenvolvido para indisponibilidades, não para ataques cibernéticos. Esse modelo já não funciona.”
Na prática, isso significa que simplesmente restaurar servidores ou ativar ambientes de contingência não garante que os dados recuperados estejam íntegros, livres de comprometimento ou prontos para sustentar operações financeiras críticas.

O que é o conceito de Minimum Viable Bank?
Como alternativa, a Everpure destaca o conceito de Minimum Viable Bank (MVB), uma abordagem voltada para reduzir drasticamente o impacto operacional de ataques cibernéticos.
A estratégia propõe que os bancos definam antecipadamente quais operações precisam voltar ao ar primeiro, utilizando exclusivamente dados limpos e validados, antes mesmo da recuperação completa de toda a infraestrutura tecnológica.
Entre as prioridades estão:
| Serviços priorizados pelo MVB | Objetivo |
|---|---|
| Pagamentos | Manter transações financeiras essenciais |
| Acesso às contas | Garantir atendimento aos clientes |
| Canais digitais | Preservar internet banking e aplicativos |
| Sistemas regulatórios | Atender exigências dos órgãos reguladores |
| Sistemas que suportam outras aplicações | Restabelecer rapidamente a operação do banco |
Segundo a análise, essa abordagem permite reduzir o tempo de indisponibilidade e garantir a continuidade das atividades mais importantes durante uma crise.
Reguladores exigem mais do que planos de continuidade
Outro ponto destacado pela Everpure é que os órgãos reguladores têm elevado as exigências relacionadas à resiliência operacional.
Mais do que possuir planos documentados de recuperação, as instituições financeiras precisam demonstrar, por meio de testes e evidências auditáveis, que conseguem:
- Recuperar aplicações críticas dentro dos prazos exigidos;
- Restaurar dados íntegros e confiáveis;
- Validar continuamente seus processos de recuperação;
- Comprovar a capacidade de manter serviços essenciais durante incidentes cibernéticos.
Essa mudança acompanha o crescimento dos ataques direcionados ao setor financeiro, considerado um dos principais alvos de grupos criminosos devido ao alto valor das informações e dos ativos envolvidos.
Resiliência cibernética passa a ser estratégia de negócio
Na avaliação da Everpure, a resiliência cibernética deixou de ser apenas uma responsabilidade da área de tecnologia e passou a integrar a estratégia de negócios das instituições financeiras.
Com ataques cada vez mais frequentes, a capacidade de recuperar rapidamente dados confiáveis e restabelecer operações críticas tornou-se essencial não apenas para minimizar perdas financeiras, mas também para preservar a confiança dos clientes, cumprir requisitos regulatórios e garantir a continuidade dos serviços bancários em um ambiente digital cada vez mais complexo.
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Redação tecflow
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