IA agêntica muda as regras da cibersegurança e exige governança baseada em comportamento, diz Akamai

Relatório da Akamai revela que IA agêntica, chatbots e extensões de navegador estão criando novos riscos para empresas e acelerando ataques cibernéticos.

A inteligência artificial agêntica está transformando a forma como empresas trabalham, mas também está criando uma nova geração de riscos que pode superar as defesas tradicionais de cibersegurança. Um novo relatório da Akamai Technologies alerta que proteger ambientes corporativos deixou de ser apenas uma questão de controlar usuários humanos e passou a exigir governança baseada no comportamento de agentes autônomos e identidades não humanas.

O estudo State of the Internet (SOTI): The Agentic Frontier: Speed, Scale, and Nonhuman Identity mostra que, à medida que organizações adotam agentes de IA capazes de executar tarefas automaticamente em APIs, sistemas internos e aplicações corporativas, cresce a necessidade de monitorar o comportamento dessas entidades em tempo real, reduzindo a dependência de controles tradicionais de identidade e acesso.

A mudança representa um dos maiores desafios enfrentados pelos CISOs nos próximos anos. Segundo o relatório, os riscos já não estão concentrados apenas em funcionários ou credenciais comprometidas, mas também em agentes inteligentes que podem agir de forma autônoma, acessar sistemas críticos e explorar vulnerabilidades em velocidades muito superiores às humanas.

Outro alerta importante envolve o Model Context Protocol (MCP), tecnologia que permite que agentes de IA interajam com diferentes sistemas de software. Apesar de sua crescente adoção, sua exposição continua entre as menores prioridades dos líderes de segurança, criando uma perigosa lacuna de visibilidade justamente quando especialistas preveem que agentes de IA não autorizados estarão entre as principais ameaças cibernéticas até 2030.

Os números sobre o uso corporativo de inteligência artificial também chamam atenção. A pesquisa identificou que mais de 6% das conversas realizadas por funcionários em chatbots de IA contêm dados corporativos sensíveis, incluindo informações de identificação pessoal. Ainda mais preocupante é o fato de que 47% dessas interações acontecem por meio de contas pessoais, fora do monitoramento das equipes de segurança.

O relatório também mostra que a própria IA está acelerando o ritmo dos ataques cibernéticos. Modelos de fronteira conseguem identificar, correlacionar e explorar vulnerabilidades em questão de minutos, tornando insuficiente a estratégia tradicional de aplicar correções apenas após a descoberta das falhas. Para a Akamai, a mitigação precisa acontecer em tempo real, diretamente na borda da rede.

Outro ponto crítico é o navegador corporativo. Mais de 40% dos funcionários instalaram extensões de IA, enquanto 25% dessas ferramentas ampliaram suas permissões ao longo dos últimos 12 meses. Além disso, essas extensões apresentam 60% mais chances de possuir vulnerabilidades conhecidas (CVEs) quando comparadas às extensões convencionais, ampliando significativamente a superfície de ataque das organizações.

O estudo também destaca a ascensão dos chamados clientes sintéticos, agentes de IA que passam a pesquisar produtos, comparar serviços e consumir informações em nome dos usuários. Esse cenário exige que empresas passem a monitorar indicadores ligados ao Generative Engine Optimization (GEO), como precisão das informações, citações, reputação digital, sentimento e gerenciamento de bots, protegendo a autoridade de suas marcas em um ambiente cada vez mais dominado pela inteligência artificial.

Para enfrentar esse novo cenário, a Akamai recomenda que líderes de segurança adotem uma estratégia baseada em quatro pilares: implementar governança adaptativa na borda da rede para bloquear ataques em tempo real; ampliar a proteção do navegador e controlar extensões de IA; fortalecer a presença da marca em mecanismos generativos por meio de estratégias de GEO; e conceder autonomia aos agentes de IA apenas quando suas ações puderem ser verificadas e revertidas, mantendo supervisão humana para operações críticas.

Em seu 12º ano, o relatório State of the Internet (SOTI) continua reunindo análises sobre as principais tendências globais de cibersegurança e desempenho da internet, utilizando dados observados na infraestrutura da Akamai, responsável por processar uma parcela significativa do tráfego mundial.

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Redação tecflow

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