
A biometria pela palma da mão está deixando de ser uma tecnologia experimental para se tornar uma das principais apostas para revolucionar a identificação de pessoas em aeroportos, eventos, hospitais, empresas e até meios de pagamento. Capaz de autenticar usuários em cerca de 500 milissegundos e com acurácia de 99,99%, a solução promete eliminar a necessidade de cartões de embarque, documentos físicos, celulares, senhas e até do reconhecimento facial, tornando a jornada mais rápida, segura e sem contato.
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A tecnologia, desenvolvida pela Positivo Tecnologia em parceria com a Tencent Cloud, já começou a ser testada em operações reais no Brasil. Um dos primeiros casos foi o Airport Infra Summit (AIS) 2026, onde participantes acessaram o evento utilizando apenas a palma da mão. Agora, a empresa prepara novos projetos com fluxo superior a cinco mil pessoas por dia e aposta que a biometria palmar será a base para integrar diferentes serviços em uma única identidade digital, incluindo controle de acesso, embarque, autenticação e pagamentos.
Embora o potencial da tecnologia seja amplo, sua expansão depende da integração entre aeroportos, companhias aéreas, empresas de tecnologia, sistemas de identificação e meios de pagamento. Ao mesmo tempo, questões relacionadas à privacidade e à proteção de dados seguem entre os principais temas de debate, especialmente diante do avanço das soluções biométricas no país.
Em entrevista exclusiva ao tecflow, Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo Tecnologia, detalha como funciona a biometria baseada nas veias da palma da mão, explica por que ela pode substituir métodos tradicionais de identificação, comenta os mecanismos utilizados para garantir a segurança das informações dos usuários e revela quais setores devem liderar a adoção da tecnologia nos próximos anos. O executivo também fala sobre os resultados dos primeiros testes realizados no Brasil e as perspectivas para acelerar a implementação da biometria palmar em operações de grande escala.

tecflow: A biometria pela palma da mão pode substituir métodos tradicionais, como cartões de embarque, documentos e reconhecimento facial, em aeroportos? O que ainda falta para que isso aconteça em larga escala?
Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo Tecnologia: Sim. A biometria palmar pode substituir diferentes formas de identificação por ser mais rápida, segura e eficiente. A primeira camada é a própria identificação biométrica. A leitura das veias da palma reconhece a pessoa de forma simples e sem contato. A partir dela, é possível agregar uma segunda camada, formada pelos diferentes serviços e aplicações vinculados a essa identidade, como embarque, controle de acesso a ambientes, pagamentos e documentos. A Positivo Tecnologia trouxe ao Brasil, em parceria com a Tencent Cloud, uma solução eficaz, segura e economicamente viável, já em teste no país. Para ganhar escala, o próximo passo é ampliar as integrações com os sistemas e empresas que participam dessas jornadas, como no trabalho realizado com a Treeal.
tecflow: A solução promete 99,99% de acurácia e autenticação em cerca de 500 milissegundos. Como a tecnologia se comporta em cenários de alto fluxo, como aeroportos internacionais, e quais foram os principais desafios para atingir esse nível de desempenho?
Norberto Maraschin: A tecnologia foi desenvolvida para operações em que é necessário identificar pessoas com rapidez e segurança. A solução permite que o processo de identificação aconteça em poucos segundos, contribuindo para dar mais fluidez a operações de alto fluxo. Em ambientes como aeroportos, esse desempenho é especialmente relevante porque a identificação precisa acompanhar o ritmo da operação sem criar novos pontos de espera para o passageiro. O AIS foi uma oportunidade de observar a tecnologia em uma operação real de controle de acesso e demonstrar seu desempenho na prática.
tecflow: A privacidade é uma preocupação crescente quando falamos em biometria. Como os dados da palma da mão são armazenados e protegidos, e quais mecanismos garantem que essas informações não sejam utilizadas de forma indevida?
Norberto Maraschin: A privacidade e a segurança são fundamentais quando falamos de biometria, especialmente por se tratar de dados pessoais sensíveis. Na solução da Positivo Tecnologia, as características da palma e os padrões vasculares únicos de cada pessoa são transformados em um hash utilizado para autenticação, e não são armazenados como uma imagem da mão.
Esse template armazenado não permite reconstruir a imagem original da palma, acrescentando uma camada de proteção aos dados. Além disso, as informações são utilizadas para a finalidade de autenticação para a qual o usuário realizou seu cadastro, seguindo os requisitos da LGPD. Segurança e privacidade fazem parte da concepção da solução, assim como precisão e velocidade, para garantir uma experiência confiável ao usuário.

tecflow: Além do controle de acesso e dos pagamentos, quais são as próximas aplicações que a Positiva Tecnologia enxerga para a biometria palmar no Brasil? Há conversas em andamento com aeroportos, companhias aéreas ou outros setores para adoção da tecnologia?
Norberto Maraschin: O potencial da biometria palmar está justamente na possibilidade de utilização em diferentes jornadas que dependam de identificação ou senha. Além de controle de acesso e pagamentos, enxergamos oportunidades em ambientes de grande circulação, como eventos, varejo, hospitais, ambientes corporativos e, naturalmente, aeroportos. A biometria palmar deve se transformar na tecnologia dominante para jornadas físicas/presenciais de pessoas. A mesma identificação biométrica pode, assim, ser utilizada em diferentes jornadas, sem que seja necessário criar uma solução de identificação específica para cada aplicação. A Positivo Tecnologia desenvolveu a infraestrutura de identificação e vem trabalhando com parceiros que agregam diferentes serviços. Um exemplo é a Treeal, que atua na camada de pagamentos. No setor aeroportuário, a aproximação com a Pacer ajuda justamente a conectar essa tecnologia às necessidades da operação e explorar essas possibilidades com o mercado.
tecflow: O Airport Infra Summit será a primeira operação real da tecnologia em um evento. Quais indicadores a Positivo pretende acompanhar durante essa implementação e como essa experiência pode acelerar a adoção da biometria palmar em grandes operações no país?
Norberto Maraschin: Sim, foi um evento inicial e com baixo volume (menos de 1 mil por dia). Estamos lançando novo projeto com grande volume de pessoas (+5 mil por dia) nos próximos dias (não podemos divulgar cliente por confidencialidade). Nestes pilotos vamos acompanhar principalmente a velocidade de autenticação, a taxa de reconhecimento, o fluxo de participantes e a experiência dos usuários durante o acesso.
Importante dizer que o AIS representou mais do que um teste, a experiência permite demonstrar sua aplicação sem grandes investimentos em uma operação real e entender como ela pode ser integrada a uma jornada de grande circulação. O aprendizado, somado à aproximação com empresas do setor, ajuda a identificar novas aplicações e integrações, o que pode contribuir para acelerar a adoção da biometria em operações maiores.
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Marciel
Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.
