Netflix demite 1.000 funcionários em maior corte desde 2022; ações já caem 25% em 2026

Netflix demite cerca de 1.000 funcionários, equivalente a 6% da equipe global. Corte atinge tecnologia, produto, RH e jurídico em meio à queda das ações em 2026.

Empresa reduz 6% da força de trabalho global e reforça foco em eficiência mesmo com crescimento da receita

A Netflix anunciou uma nova rodada de demissões que representa o maior corte de funcionários da companhia desde 2022. A empresa eliminou cerca de 1.000 vagas, o equivalente a aproximadamente 6% da força de trabalho global, em uma reestruturação que afeta principalmente as áreas de produto, tecnologia, jurídico e recursos humanos.

Segundo informações da Reuters, a decisão foi comunicada aos funcionários por meio de um memorando interno enviado nesta quarta-feira (14). O movimento acontece em um momento de pressão do mercado por maior eficiência operacional, mesmo com a empresa mantendo crescimento de receita e expansão em novas áreas de negócio.

Os co-CEOs da Netflix, Greg Peters e Ted Sarandos, afirmaram no comunicado que a missão da companhia de “entreter o mundo” continua sendo ambiciosa e exige disciplina na definição de prioridades. Os executivos também destacaram que o negócio permanece sólido e segue no caminho para cumprir as projeções financeiras previstas para 2026.

O corte é o maior desde 2022, quando a Netflix demitiu cerca de 450 funcionários após registrar a primeira perda de assinantes em mais de uma década. Naquele período, a empresa enfrentava uma forte desaceleração após anos de crescimento acelerado impulsionado pelo streaming.

Mercado pressiona Netflix por novas fontes de crescimento

Apesar do avanço da receita, a Netflix enfrenta desafios para manter o ritmo de expansão. As ações da companhia acumulam uma queda de aproximadamente 25% em 2026, embora tenham registrado alta de 0,7% na quarta-feira após o anúncio das demissões.

No segundo trimestre de 2026, a empresa alcançou uma receita de US$ 12,56 bilhões, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O próximo resultado financeiro, referente ao terceiro trimestre, será divulgado em 20 de outubro.

A companhia também tenta diversificar suas fontes de receita além das assinaturas tradicionais. Entre as principais apostas estão o crescimento do plano com anúncios, conteúdos ao vivo e transmissões esportivas.

No Brasil, o modelo com publicidade ganhou força. Segundo dados divulgados pela empresa, cerca de 60% dos novos assinantes brasileiros escolhem atualmente o plano com anúncios, enquanto a Netflix trabalha para aumentar a participação da publicidade na receita global para aproximadamente 10% até 2030.

Disputa pela Warner Bros. movimentou bilhões

Outro episódio importante para a estratégia da Netflix em 2026 foi a tentativa de aquisição dos ativos de streaming e estúdios da Warner Bros. Discovery. O acordo, avaliado inicialmente em US$ 83 bilhões, não foi concluído, mas a Netflix recebeu uma compensação de US$ 2,8 bilhões pelo encerramento da negociação.

O valor contribuiu para o resultado financeiro do primeiro trimestre, quando a empresa registrou lucro líquido de US$ 5,283 bilhões, crescimento de 83% na comparação anual.

Após o fim das negociações, a Warner Bros. Discovery acabou sendo adquirida pela Paramount em uma operação avaliada em cerca de US$ 110 bilhões, criando uma nova concorrente de grande escala no mercado global de streaming.

Analistas apontam limite do modelo de assinaturas

O movimento de redução de custos acontece enquanto analistas avaliam que o mercado de assinaturas pode estar chegando a um ponto de maturidade.

Para Ross Benes, analista da eMarketer, a Netflix ainda não encontrou uma nova fonte de receita com potencial semelhante ao crescimento das assinaturas, o que aumenta a pressão para que a companhia avance em publicidade, eventos esportivos e novos formatos de conteúdo.

Com a reestruturação, a Netflix busca equilibrar investimentos em inovação e produção de conteúdo com uma operação mais eficiente. O impacto das demissões no Brasil ainda não foi informado, e a empresa não detalhou quais equipes ou regiões foram mais afetadas pelo corte.

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Redação tecflow

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