Brasil identifica 20 áreas para energia eólica no mar; veja o que muda Copiar título

Estudo identifica três regiões com maior potencial para geração de energia eólica no mar e deve orientar a escolha de áreas para futuros projetos no Brasil.

A energia eólica offshore, gerada por turbinas instaladas no mar, avança na estruturação regulatória no Brasil. Uma metodologia desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou 20 regiões com características de vento semelhantes e três áreas prioritárias com maior potencial eólico, criando uma base técnica para orientar a seleção de áreas marítimas destinadas a futuros projetos.

As diretrizes fazem parte do processo de implementação da Lei nº 15.097/2025, que estabeleceu o marco legal para a geração de energia eólica offshore no país. O objetivo é organizar a utilização do espaço marítimo, considerando não apenas a força dos ventos, mas também fatores ambientais, logísticos e de conexão com a rede elétrica.

O tema ganha destaque às vésperas do Brazil Windpower 2026, evento do setor eólico programado para os dias 27 a 29 de outubro, no São Paulo Expo, na capital paulista.

O mapeamento da EPE representa uma etapa importante para o planejamento da atividade no país, mas não significa que as áreas identificadas já estejam autorizadas para a construção de parques eólicos. A definição de projetos dependerá de etapas regulatórias, estudos de viabilidade, licenciamento ambiental e investimentos em infraestrutura.

Como a EPE identificou as áreas com maior potencial eólico offshore?

A metodologia de avaliação do recurso eólico busca identificar regiões marítimas com condições favoráveis à geração de eletricidade. Para isso, foram consideradas informações de modelos atmosféricos e bases de dados internacionais, como ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas.

A análise agrupou o litoral brasileiro em 20 regiões com padrões semelhantes de comportamento dos ventos, considerando características como velocidade, variação ao longo do tempo e potencial de geração.

Dentro desse conjunto, três áreas foram classificadas como prioritárias por apresentarem condições mais favoráveis de vento. Regiões com velocidades médias elevadas e maior regularidade podem contribuir para melhorar o desempenho dos aerogeradores e aumentar a produção de eletricidade ao longo do ano.

A avaliação também considera que o potencial natural do vento não é suficiente, por si só, para determinar a viabilidade econômica de um empreendimento. Profundidade do mar, condições do fundo oceânico, restrições ambientais, infraestrutura portuária e distância dos pontos de conexão elétrica também influenciam a escolha das áreas.

Com informações técnicas mais estruturadas, o governo poderá estabelecer critérios para a oferta de áreas marítimas e reduzir incertezas para empresas interessadas em desenvolver projetos no Brasil.

O que muda com a Lei nº 15.097/2025?

A Lei nº 15.097/2025 estabeleceu as bases legais para o aproveitamento de áreas marítimas na geração de energia eólica offshore. O marco regulatório busca organizar a cessão de uso do espaço marítimo sob domínio da União e definir condições para o desenvolvimento dos empreendimentos.

Nesse contexto, a metodologia da EPE fornece subsídios técnicos para a identificação e a seleção de áreas que poderão ser disponibilizadas ao mercado.

O processo de elaboração das diretrizes incluiu a Consulta Pública nº 191/2025, conduzida pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo as informações apresentadas no balanço setorial, foram recebidas aproximadamente 400 contribuições de 41 entidades e empresas.

A versão final da metodologia foi publicada em julho de 2026, enquanto uma nota técnica divulgada em agosto aprofundou a avaliação do potencial eólico marítimo.

A definição de critérios para a seleção de áreas é importante porque o mar brasileiro também é utilizado por setores como petróleo e gás, transporte marítimo, pesca e conservação ambiental.

A compatibilização desses interesses pode reduzir conflitos de uso e oferecer maior previsibilidade para os projetos, embora a implantação de cada empreendimento continue dependendo das autorizações e análises aplicáveis.

Por que a energia eólica no mar interessa ao Brasil?

O Brasil possui uma extensa área marítima e condições naturais que despertam o interesse de desenvolvedores de energia renovável. A geração offshore pode ampliar a participação das fontes renováveis na matriz elétrica e abrir oportunidades para novos investimentos industriais.

Diferentemente dos parques eólicos instalados em terra, os empreendimentos marítimos exigem estruturas de grande porte, equipamentos especializados e operações complexas de instalação e manutenção.

Entre os principais componentes necessários estão:

  • Portos adaptados: terminais com profundidade, capacidade de carga e espaço para movimentar e montar grandes equipamentos.
  • Navios especializados: embarcações para transportar, instalar e realizar a manutenção de turbinas e estruturas marítimas.
  • Cabos submarinos: sistemas responsáveis por levar a eletricidade produzida no mar até a infraestrutura em terra.
  • Conexão à rede elétrica: subestações e linhas de transmissão capazes de receber a energia gerada pelos parques.
  • Mão de obra qualificada: profissionais especializados em engenharia naval, operações offshore, segurança e manutenção.

A disponibilidade desses recursos será determinante para a competitividade dos projetos. Sem infraestrutura adequada e previsibilidade sobre a implantação dos empreendimentos, os custos podem aumentar e os investimentos podem demorar mais para avançar.

Conexão à rede elétrica é um dos principais desafios

Outro ponto decisivo para a expansão da energia eólica offshore será a integração da eletricidade produzida no mar ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

A construção de grandes parques marítimos pode exigir reforços na transmissão, novas subestações e sistemas de conexão capazes de transportar volumes elevados de energia até os centros de consumo.

A distância entre as áreas de geração e os pontos de conexão em terra influencia diretamente os custos dos empreendimentos. Em projetos mais distantes do litoral, a utilização de tecnologias de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC) pode ser considerada, dependendo das características técnicas e econômicas de cada instalação.

Também existe potencial para integrar a geração offshore a projetos industriais que demandem grandes quantidades de eletricidade, como instalações de produção de hidrogênio de baixo carbono e derivados, incluindo amônia verde.

Essa integração poderá criar oportunidades para polos industriais e portuários, desde que haja demanda, infraestrutura e condições econômicas compatíveis com os investimentos necessários.

Brazil Windpower 2026 coloca o setor em evidência

A discussão sobre o planejamento das áreas marítimas ocorre em um momento de atenção do mercado à regulamentação da energia eólica offshore.

O Brazil Windpower 2026 será realizado entre 27 e 29 de outubro, no São Paulo Expo, reunindo representantes da indústria, investidores, empresas de energia e especialistas do setor.

Entre os temas relevantes para o desenvolvimento da atividade estão a definição dos procedimentos para a oferta de áreas marítimas, a previsibilidade dos futuros leilões, a infraestrutura de transmissão e as condições para a formação de uma cadeia de fornecedores no Brasil.

Para fabricantes, operadores portuários e empresas de engenharia, a existência de um calendário regulatório previsível pode ajudar a dimensionar investimentos em instalações industriais, equipamentos e capacitação profissional.

A evolução das regras também será importante para que investidores avaliem os riscos de desenvolvimento e os prazos necessários para levar os empreendimentos da fase de planejamento à operação comercial.

Quando os parques eólicos offshore começarão a operar no Brasil?

O mapeamento de 20 regiões e a identificação de três áreas prioritárias representam avanços no planejamento do setor, mas não estabelecem, por si só, uma data para o início da operação comercial dos parques.

Antes da instalação das turbinas, os projetos precisam avançar em diferentes etapas, que podem incluir estudos detalhados do vento, levantamentos geofísicos e geotécnicos, avaliação ambiental, definição de engenharia, licenças, autorizações e estruturação financeira.

A infraestrutura de transmissão e a disponibilidade de contratos de venda de energia também podem influenciar as decisões finais de investimento.

Por isso, o desenvolvimento da indústria dependerá da coordenação entre o governo, os órgãos reguladores, os responsáveis pela transmissão elétrica, as empresas e as comunidades potencialmente afetadas.

A experiência brasileira na exploração de petróleo em águas profundas pode oferecer conhecimentos úteis para a engenharia e as operações marítimas. Entretanto, a energia eólica offshore possui requisitos próprios, especialmente na instalação de turbinas, na logística portuária e na conexão elétrica.

O que esperar dos próximos passos da eólica offshore no Brasil?

A metodologia da EPE cria uma referência técnica para orientar o planejamento da energia eólica no mar e organizar a avaliação das áreas com potencial de geração.

O próximo desafio será transformar esse conhecimento em procedimentos regulatórios claros, critérios transparentes para a seleção dos espaços marítimos e condições que permitam desenvolver projetos técnica, ambiental e economicamente viáveis.

Se o planejamento avançar de forma coordenada com a expansão da transmissão e o desenvolvimento da cadeia industrial, a eólica offshore poderá abrir novas oportunidades para os setores de energia, engenharia naval, siderurgia, indústria metalmecânica e infraestrutura portuária.

O mapeamento das regiões com maior potencial, portanto, é um passo relevante, mas a consolidação dessa nova frente energética dependerá da capacidade de converter os estudos em projetos viáveis e investimentos de longo prazo.

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Redação tecflow

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