

Pesquisadores descobriram que o lançamento da NASA provocou enormes perturbações na ionosfera, suficientes para reduzir temporariamente a precisão de sistemas de navegação por satélite
O histórico lançamento da missão Artemis II, da NASA, pode ter causado um efeito inesperado na atmosfera terrestre. Um novo estudo aponta que o foguete Space Launch System (SLS) gerou grandes perturbações na ionosfera, formando o que os cientistas chamam de um “buraco ionosférico”, um fenômeno temporário que pode interferir na precisão do GPS e de outros sistemas de comunicação via satélite.
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A missão Artemis II foi lançada em 1º de abril de 2026 com quatro astronautas a bordo para uma viagem de nove dias ao redor da Lua, marcando o retorno de humanos ao espaço profundo pela primeira vez desde o programa Apollo.
O que aconteceu na atmosfera?
Apesar de manchetes sugerirem que o foguete “rasgou” a atmosfera, os pesquisadores esclarecem que não houve um buraco físico.
O que ocorreu foi uma redução temporária da concentração de partículas eletricamente carregadas na ionosfera, camada localizada entre aproximadamente 80 e 640 quilômetros de altitude. Como os sinais de GPS atravessam essa região, alterações em sua densidade podem reduzir momentaneamente a precisão da localização.
Três grandes perturbações foram registradas
Segundo o estudo, a missão produziu três perturbações distintas:
- durante o lançamento;
- cerca de duas horas depois, após uma queima dos motores;
- aproximadamente 24 horas mais tarde, durante outra manobra orbital.
Curiosamente, as duas últimas perturbações foram ainda mais intensas que a provocada pela decolagem, mesmo utilizando motores muito menos potentes. Os pesquisadores acreditam que isso ocorreu porque as ignições aconteceram diretamente dentro da ionosfera.

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Distúrbio cobriu quase todo o território dos EUA
A maior perturbação registrada se estendeu por cerca de 50 graus de longitude, cobrindo praticamente todo o território continental dos Estados Unidos.
Os cientistas afirmam que este foi o maior fenômeno desse tipo já observado durante uma missão espacial e que ele superou inclusive os efeitos registrados em lançamentos da SpaceX Starship.
GPS pode ter perdido precisão
Os pesquisadores afirmam que o fenômeno pode ter provocado erros temporários de alguns metros na localização por GPS.
Embora isso dificilmente seja percebido por usuários comuns de smartphones, sistemas que dependem de alta precisão, como drones, agricultura de precisão, equipamentos industriais e veículos autônomos, podem ser mais sensíveis a esse tipo de alteração.
Até o momento, não há registro de acidentes ou falhas operacionais associados diretamente às perturbações causadas pela missão Artemis II.

Lançamentos espaciais podem se tornar um novo desafio
Os autores alertam que o aumento da frequência de missões à Lua e, futuramente, a Marte poderá tornar esses efeitos mais comuns.
Eles defendem que futuras missões sejam monitoradas para entender melhor como grandes foguetes influenciam a ionosfera e quais impactos isso pode ter sobre tecnologias que dependem de posicionamento por satélite e comunicações de longa distância.
Vale destacar que os resultados foram divulgados em um pré-print científico, ou seja, ainda aguardam revisão por pares. Mesmo assim, os dados chamaram a atenção da comunidade científica por registrarem um fenômeno sem precedentes durante uma missão espacial tripulada.
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Rafael Oliveira
Rafael de Oliveira é um profissional apaixonado por tecnologia e um entusiasta do mercado B2C, tendo um perfil dedicado a cobrir as últimas tendências do setor no site Tecflow. Fora do mundo corporativo, Rafael é um colecionador de discos e dedica seu tempo livre a criar beats usando o software Fruit Loops.


