Novos dados revelam os piores grupos de ransomware e a explosão de ataques cibernéticos em julho de 2025

Os ataques cibernéticos registraram um aumento expressivo em escala e sofisticação em julho de 2025, atingindo praticamente todos os setores e regiões do mundo. No Brasil, as organizações sofreram, em média, mais de 2,8 mil ataques semanais, segundo dados divulgados pela Check Point Research (CPR), divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software, no Relatório Global de Inteligência de Ameaças referente ao mês.

O levantamento foi elaborado com base na plataforma Check Point ThreatCloud AI, que analisa diariamente milhões de indicadores de comprometimento. Alimentada por dados de mais de 150 mil redes e milhões de endpoints, a tecnologia combina mais de 50 mecanismos baseados em inteligência artificial para oferecer uma visão abrangente e em tempo real do cenário global de ameaças.

Em julho, a média semanal de ataques por organização no mundo chegou a 2.011, número 3% superior ao mês anterior e 10% maior que em julho de 2024. No Brasil, as organizações enfrentaram 2.856 ataques por semana, o que representa um crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados refletem a persistência e a adaptabilidade dos agentes de ameaça, além de reforçar a posição do país como um dos principais alvos na região.

Alguns setores foram mais afetados que outros. A educação registrou uma média de 4.248 ataques por organização por semana, crescimento de 11% em relação ao ano anterior. As telecomunicações tiveram 2.769 ataques semanais, alta de 24%, enquanto o setor governamental contabilizou 2.745 ataques, aumento de 6%. A agricultura apresentou o crescimento proporcional mais expressivo, com 81%, indicando que o setor se tornou um alvo cada vez mais atrativo. No Brasil, os segmentos mais impactados foram governo, serviços empresariais e telecomunicações.

O panorama de ameaças também variou significativamente por região. A Ásia-Pacífico apresentou a média semanal mais alta, com 3.403 ataques por organização, seguida pela América Latina, com 2.917 ataques semanais, e pela América do Norte, com 2.870 ataques. A Europa, apesar de apresentar um volume menor, registrou o crescimento mais acentuado, de 15% em um ano, destacando-se como uma nova prioridade para grupos cibercriminosos.

O ransomware continuou sendo uma das ameaças mais graves e visíveis. Em julho, foram registrados 518 ataques desse tipo, aumento de 28% em comparação ao mesmo período de 2024. Entre os grupos que se destacaram, o Qilin foi responsável por 12% dos ataques publicados, sendo o mais ativo do mês. Atuante desde 2022, o grupo intensificou suas operações após a aposentadoria do RansomHub em março de 2025. O Inc. Ransom respondeu por 9% dos ataques, com foco em saúde e educação, enquanto o Akira representou 8% dos incidentes, atacando sistemas Windows, Linux e ESXi, com variantes em Rust desenvolvidas para dificultar engenharia reversa.

A distribuição regional dos ataques de ransomware mostra que a América do Norte concentrou 52% dos incidentes reportados, seguida pela Europa, com 25%. Em termos de setores, bens e serviços de consumo lideraram com 12% dos ataques, seguidos por construção e engenharia, com 10,2%, e serviços empresariais, com 9,5%. É importante destacar que esses dados são obtidos de “shame sites”, páginas usadas por grupos de dupla extorsão para divulgar vítimas. Embora parciais, essas informações oferecem uma visão relevante das tendências e do comportamento dos atacantes.

“Os dados de julho mostram que o ransomware não só veio para ficar, como está evoluindo rapidamente, com grupos como o Qilin expandindo seu alcance para alvos de alto valor”, afirmou Lotem Finkelstein, diretor de Inteligência de Ameaças na Check Point Software. “Esses ataques estão atingindo todos os cantos do mundo e todos os tipos de organizações. Estratégias de prevenção em primeiro lugar, impulsionadas por IA, são a única maneira de se manter à frente.”

O aumento dos ataques de ransomware em julho encerra um trimestre marcado pela ampliação do alcance de agentes de ameaça, pela evolução do ecossistema de ransomware-as-a-service e pelo aumento da pressão sobre setores críticos. O cenário reforça a urgência de investimentos em soluções de cibersegurança avançadas, monitoramento contínuo e estratégias preventivas para mitigar riscos em escala global.

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Redação tecflow

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