

No palco do The Developer’s Conference (TDC) São Paulo 2025, Silvio Meira, Chief Scienti do TDS Company, chamou a atenção para um ponto sensível da corrida global em torno da inteligência artificial: embora quase todas as empresas já declarem utilizar IA em algum processo, poucas conseguem extrair valor real dessa tecnologia. “É surpreendente haver 5% de sucesso”, afirmou, em referência a estudos internacionais que mostram que a imensa maioria das iniciativas em IA falham em gerar resultados mensuráveis.
Meira destacou que a expectativa de retorno rápido contrasta com o tempo histórico necessário para a maturação de tecnologias de propósito geral. “O primeiro carro que realmente você podia botar na rua levou 30 anos para ficar pronto. Querem que a inteligência artificial dê retorno em três anos”, disse, reforçando que estamos em uma fase de aprendizado, de pilotos e erros, não de ganhos consistentes.

Conta de luz em risco? Entenda a guerra bilionária que
Um “puxadinho” na nova lei do setor elétrico colocou gigantes da energia e o Governo em pé de guerra. Entenda…
Oportunidade de ouro: IFSP libera 4.500 vagas em cursos de
Quer entrar no mercado de TI sem pagar nada? O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) acaba de abrir inscrições…
O fim do Windows? Google e Samsung unem forças e
Prepare o monitor: a nova atualização do Android 16 acaba de transformar seu celular em um computador completo. Entenda a…
Apple choca o mercado e lança MacBook Neo por preço
Em estratégia inédita para driblar a crise dos chips, gigante de Cupertino aposta em notebook “popular” com bateria de 16…
Samsung lança no Brasil tela 3D que dispensa óculos e
Nova tecnologia Spatial Signage transforma imagens comuns em experiências 3D realistas para revolucionar lojas e escritórios; conheça o display de…
Conheça a calculadora “mágica” que fazia ligações e outras raridades
Evento gratuito no Shopping Mooca revela invenções bizarras e históricas da Casio, incluindo modelos que jogam e organizam rankings de…
Para o cientista, a ansiedade por retorno imediato e a busca por “cases” de sucesso podem ser os maiores inimigos das empresas. “Não há cases prontos porque ninguém fez ainda. O maior risco é não correr risco”, afirmou, defendendo que líderes encarem a IA como um processo experimental, no qual falhas e correções rápidas são parte natural da curva de aprendizado.
A conclusão, para Meira, é que a inteligência artificial não exige uma “estratégia de IA”, mas uma estratégia de negócios que incorpore IA de forma estrutural. “Rotinas transformaram pessoas em algoritmos. Esses ‘algoritmos humanos’ serão substituídos. O que resta é aprender a orquestrar inteligências — humana, social e artificial — em novos modelos de trabalho e decisão”, disse.
Esse descompasso se traduz em investimentos vultosos, mas pouco retorno estratégico. Dados apresentados por Meira apontam que até 98% das companhias já testam ou implementam soluções de IA, mas apenas 26% escalam projetos com impacto real nos negócios. “Estamos comprando IA como quem compra um Ferrari para uma rede de lanchonetes de bairro. Não faz sentido”, ironizou o cientista.
No debate com executivos no fórum do evento, ele introduziu também o conceito de MCP (Model Control Protocol), que descreveu como o “TCP/IP da inteligência artificial”. Para Meira, a maior parte das empresas sequer entende esse novo protocolo emergente, o que limita a capacidade de transformar adoção em valor. “Zero empresas aqui viraram MCP driven”, disse, sugerindo que ainda há um longo caminho até que organizações dominem a infraestrutura de IA como parte central de sua estratégia.
O papel da liderança na transição algorítmica

Se o retorno ainda é baixo, a responsabilidade pela mudança está nas mãos da liderança. “A primeira competência que os executivos têm que passar a ter para liderar essa transformação é pensar. Pensar envolve ler, entender fundamentos, experimentar hipóteses. Ou isso, ou morremos”, afirmou Meira no painel de perguntas abertas.
Segundo ele, não basta delegar a tarefa de implementação à área de tecnologia. A próxima etapa da gestão corporativa será escrever — ou supervisionar diretamente — os algoritmos que tomarão decisões dentro das empresas. “Escrever algoritmos de decisão não é fazer reunião com fornecedores. É compreender ecossistemas, competitividade e contexto estratégico”, disse, em um recado direto a CEOs e conselhos.
Esse movimento também redefine os times de tecnologia. Em sua visão, o futuro aponta para grupos menores, altamente especializados e organizados em torno de problemas concretos. “É preciso unificar tecnologia, inovação, marketing e estratégia no mesmo time. O modelo de empresas com TI isolada não tem futuro”, afirmou.
A crítica se estende ao próprio processo de formação. Meira voltou a defender a substituição da lógica de aulas expositivas e provas por metodologias como problem-based learning e challenge-based learning. “Aplicar provas resolve apenas a pergunta. O que precisamos é formar gente capaz de resolver problemas reais, em equipe, em rede”, disse.
Faça como os mais de 10.000 leitores do tecflow, clique no sino azul e tenha nossas notícias em primeira mão! Confira as melhores ofertas de celulares na loja parceira do tecflow.
Redação tecflow
Tecflow é um website focado em notícias sobre tecnologia com resenhas, artigos, tutoriais, podcasts, vídeos sobre tech, eletrônicos de consumo e mercado B2B.


