
Desde quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, a Austrália se tornou o primeiro país a implementar uma legislação rigorosa que proíbe o acesso de menores de 16 anos a plataformas de mídia social como TikTok, Instagram, Snapchat, Facebook, X, YouTube e Reddit. A medida, aprovada em dezembro de 2024, busca combater o impacto negativo que as redes causam nos adolescentes, uma preocupação crescente em nível global.
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A nova regulamentação, chamada de Social Media Minimum Age regulation, obriga as plataformas a bloquear contas e adotar requisitos de verificação de idade, sob pena de sanções. Para a juventude australiana, especialmente para a crescente classe de criadores de conteúdo mirins, a notícia foi recebida com desespero e estratégias de última hora.
O Sentimento de estar “cortado do mundo”
Para adolescentes como Carlee Jade Clements (15), de Melbourne, que possui mais de 37 mil seguidores no Instagram e faz resenhas de produtos, o banimento parece um isolamento. “Vai ser muito estranho, quieto e isolado. Vou sentir como se estivesse cortada do mundo,” lamenta Clements, cuja primeira ação ao acordar é gravar um vídeo Get Ready With Me para o TikTok.
O impacto é particularmente sentido pelos jovens que usam as plataformas de forma profissional. Ava Jones (12), com 11.500 seguidores no Instagram, estima ganhar até AU$ 2.000 por ano com parcerias. “Se isso acabasse, eu teria que fazer mais tarefas em casa,” brinca.

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Criadores buscam estratégias de sobrevivência
Na tentativa de salvar suas comunidades e o trabalho construído, muitos criadores de conteúdo estão buscando soluções criativas. Zoey Bender (14), com 58 mil seguidores no TikTok, mudou seu nome de usuário para _heyitszoeyandmark, incluindo o nome de seu pai, Mark, na esperança de que a conta não seja deletada por ser agora gerenciada por um adulto.
Essa transição para contas geridas por pais deve garantir a existência das contas profissionais após 10 de dezembro, mas a expectativa é de queda no engajamento e perda de seguidores à medida que outros perfis de menores forem suspensos.

Questionamento e protesto
Apesar da legislação, o apoio ao banimento entre os próprios jovens é baixo. Uma pesquisa recente da Australian Broadcasting Corporation mostrou que apenas 6% dos entrevistados entre 9 e 15 anos acreditam que a proibição funcionará. Além disso, 75% dos usuários de redes sociais não planejam parar de usá-las. Muitos esperam burlar a regra, falsificando a idade.
Zoey Bender, por exemplo, não se limitou a mudar o nome de sua conta. Ela iniciou uma petição eletrônica pedindo ao governo que reduzisse a restrição de idade para 13 anos, conseguindo mais de 44 mil assinaturas.
“Eu aprendi mais nas mídias sociais no último ano do que aprendi na escola, jamais,” argumenta Bender, que vê o uso excessivo como um “problema mundial, não um problema para menores de 16 anos.”
Os adolescentes e seus pais defendem que a regulamentação deveria ser uma responsabilidade parental, com foco em supervisionar o tempo de tela e proteger contra mensagens predatórias de adultos, em vez de um corte total que afeta a comunicação social. Clements, que usa o Snapchat para falar com os amigos, resume o dilema: “Eu nem sei meu próprio número de telefone. Ai, meu Deus, vou ter que memorizá-lo.”
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Redação tecflow
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