
A autoridade monetária interrompeu as atividades da financeira nesta quarta-feira (21) após colapso econômico; medida coloca 12 milhões de clientes sob proteção do FGC e levanta dúvidas sobre gestão do grupo controlador.
O cenário das fintechs brasileiras sofreu um forte abalo nesta quarta-feira (21) com o anúncio da liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., amplamente conhecida pela marca Will Bank. O Banco Central fundamentou a decisão com base no severo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, citando um estado de insolvência que impossibilitava a continuidade das operações. No centro do despacho oficial, a autoridade monetária destacou que o encerramento das atividades foi motivado pelo nexo de interesses e pelo poder de controle exercido pelo Banco Master S.A., reforçando a responsabilidade do grupo controlador na trajetória de declínio da financeira.
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O colapso do Will Bank, que operava sob regime de administração temporária, tornou-se inevitável após a instituição falhar no cumprimento de obrigações básicas de mercado, incluindo o inadimplemento de faturas junto à bandeira Mastercard. Com a decretação da liquidação, o comando das operações passa das mãos de seus executivos para um liquidante nomeado pelo Estado, cuja missão será realizar o levantamento de ativos e passivos para organizar a fila de pagamentos de credores e investidores.

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Para a base de 12 milhões de clientes da instituição, o anúncio gera um estado de alerta imediato, embora o sistema financeiro nacional ofereça mecanismos de mitigação de danos. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume o protagonismo na proteção dos depositantes, assegurando o ressarcimento de aplicações em contas-correntes, poupanças e títulos de renda fixa, como o CDB, que em setembro somava um montante de R$ 6,5 bilhões. O limite de garantia é de R$ 250 mil por CPF, o que confere segurança administrativa para a esmagadora maioria das pessoas físicas vinculadas ao banco digital.
No entanto, a situação é distinta para os grandes investidores e credores sem garantia colateral. Especialistas apontam que aqueles que mantêm aportes acima do teto do FGC enfrentam um risco real de perdas. Diferente do processo administrativo célere para o pequeno poupador, os grandes credores devem se habilitar formalmente perante o liquidante e aguardar a liquidação dos bens da financeira. A satisfação desses débitos dependerá exclusivamente da saúde patrimonial restante da instituição, o que, em casos de insolvência severa, pode resultar em pagamentos apenas parciais ou mesmo na perda total do excedente investido.
O episódio projeta uma sombra de incerteza sobre o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A citação explícita do Banco Central ao “vínculo de interesse” e ao controle exercido pelo Master como pilares da insolvência do Will Bank eleva o escrutínio sobre a solidez e as práticas de governança do grupo. Enquanto o mercado processa a quebra de um dos maiores bancos digitais do país, o foco agora se volta para a eficácia do FGC no cronograma de desembolsos e para a capacidade de contenção de danos por parte do Banco Master frente à desconfiança dos investidores.
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Redação tecflow
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