
Enquanto grandes indústrias garantem descontos, o consumidor residencial “paga a conta” de um sistema de leilões obsoleto; entenda por que sua fatura vai subir acima da inflação este ano.
Prepare o bolso. Se você sentiu que a conta de luz não para de subir, os dados confirmam o seu pesadelo: o preço da eletricidade residencial deve fechar 2026, mais uma vez, acima do IPCA, o principal índice de inflação do Brasil. Mas o que está causando esse aumento desenfreado? A resposta está em um modelo de contratação que nasceu em 2004 e que, hoje, parece trabalhar contra o cidadão comum.
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O “privilégio” do Mercado Livre
Atualmente, o Brasil vive um cenário de injustiça tarifária. Mais de 40% de toda a energia do país é vendida no chamado mercado livre, onde grandes estabelecimentos compram energia barata diretamente de fontes solares e eólicas. O problema? Os descontos dessas grandes empresas são bancados por você, o consumidor residencial.
Somado a isso, cerca de 6% da geração vem de placas solares particulares, que também contam com subsídios pesados. No fim das contas, sobra para o morador comum arcar com a manutenção do sistema formal e com contratos de longo prazo que impedem a queda do preço na fatura.
Contratos de longo prazo impedem o consumidor de se beneficiar

A especialista Joisa Dutra, diretora do FGV-Ceri, é taxativa: cada vez que o governo firma contratos de décadas, ele retira do consumidor a chance de pagar menos. “Contratos de longo prazo, portanto, impedem o consumidor de se beneficiar da queda do preço das tecnologias”, afirma.
A realidade atual do Brasil é de excesso de energia durante o dia. Em tardes ensolaradas, o ONS precisa até cortar a geração de usinas para equilibrar o sistema. No entanto, quando o sol se põe, o país depende de térmicas caras e poluentes para suprir a demanda, encarecendo a conta de todos.

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O futuro dos leilões: o que esperar?
Especialistas divergem sobre como resolver o impasse, especialmente nos chamados “leilões de reserva de capacidade” previstos para este mês de março:
- Competição de Fontes: Rodrigo Borges, da Aurora Energy Research, defende que térmicas deveriam competir com baterias e hidrelétricas para ver quem oferece o menor preço.
- Matriz Segura: Já Nivalde de Castro, do Gesel/UFRJ, argumenta que fontes com custos diferentes não podem competir juntas sem ameaçar a segurança do sistema.
- Divisão de Custos: Para a Abradee, o caminho é que a “confiabilidade do sistema” seja paga por todos, e não apenas pelo consumidor residencial.
Com a migração em massa de consumidores para o mercado livre prevista para novembro de 2028, o formato atual dos leilões está com os dias contados. A pergunta que fica é: até lá, quanto a mais você terá que pagar para manter esse sistema de pé?
Com infomações da Folha de S. Paulo
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Redação tecflow
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