
Empresas como a Scatec já se movimentam para instalar sistemas de armazenamento gigantes no Nordeste. O objetivo? Acabar com o desperdício de energia que custou R$ 2,24 bilhões e evitar o uso de térmicas caríssimas.
O setor de energia solar no Brasil está prestes a passar pela sua maior transformação desde a invenção das placas fotovoltaicas. O motivo? As chamadas BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias). Essas “superbaterias” de escala industrial prometem resolver o maior pesadelo dos geradores e, de quebra, aliviar o bolso do consumidor brasileiro.
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Nesta terça-feira (14), a gigante norueguesa Scatec reuniu especialistas para debater como essa tecnologia pode salvar projetos como a Usina de Mendubim, no Rio Grande do Norte, de um problema silencioso e bilionário: o curtailment (cortes de geração).
O prejuízo de R$ 2,24 bilhões que você está pagando
Em 2025, o Rio Grande do Norte foi duramente atingido por cortes de geração impostos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). O resultado foi um prejuízo estimado em R$ 2,24 bilhões para os geradores de renováveis.
Sem ter onde guardar o excesso de sol e vento, a energia é literalmente jogada fora. É aqui que entram as baterias. Segundo Aleksander Skaare, executivo da Scatec no Brasil, a tecnologia é a chave para o gargalo do Nordeste:
“Estamos avaliando várias localizações, bem como o potencial de todos os nossos projetos. O curtailment afeta fortemente todo o Nordeste, então, a implementação do BESS será de grande ajuda”, pontuou Skaare.
O paradoxo: recorde de energia, mas risco de apagão
O Brasil vive uma situação bizarra: produzimos energia limpa de sobra durante o dia, mas corremos o risco de ficar no escuro nos horários de pico. Fábio Lima, diretor-executivo da Absae, alerta para a gravidade da situação:
“Essa falta de flexibilidade ao longo do dia é hoje o maior risco para o sistema elétrico brasileiro”, afirmou Lima.
Sem as baterias, o governo é obrigado a ligar usinas térmicas fósseis — que são poluentes e muito mais caras. A economia com o uso de baterias em vez de térmicas poderia chegar a R$ 3 bilhões por ano nas tarifas dos consumidores.
Leilão de Baterias: O que esperar para 2026?
O Ministério de Minas e Energia (MME) já estuda realizar o primeiro leilão de baterias ainda em 2026. A regulação é o que falta para o Brasil seguir exemplos do Egito e África do Sul, onde a Scatec já opera sistemas colossais.
Ivan Hobbs, vice-presidente global de Engenharia da Scatec, explica a lógica por trás da inovação:
“A integração de BESS aos projetos solares permite que parte da energia gerada nos momentos de pico seja despachada posteriormente, nos períodos de maior demanda.”
Além disso, as baterias permitem o chamado “arbitragem”:
“Os sistemas podem armazenar energia quando os preços estão mais baixos ao longo do dia e despachá-la nos momentos de maior demanda. Além disso, contribuem para o equilíbrio do sistema elétrico, evitando apagões e oscilações”, observa Aleksander Skaare.
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