
Plataforma cruza bases públicas e mostra potencial, desigualdades regionais e gargalos no acesso a incentivos
O estado do Rio de Janeiro reúne hoje mais de 130 mil empresas ligadas à cadeia de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e mantém uma trajetória de crescimento acelerado. Apenas em 2025, cerca de 21 mil novos CNPJs foram abertos no setor, reforçando o protagonismo da tecnologia como motor econômico fluminense. Esses dados foram apresentados nesta quarta-feira (15), durante o lançamento do Mapa 2.0 da TI do Rio de Janeiro, na Casa de Inovação da PUC-Rio. A ferramenta foi desenvolvida pelo Instituto ECOA em parceria com a TI Rio, entidade representativa das empresas de tecnologia do estado do Rio.
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A plataforma cruza dados públicos, como registros empresariais, atividades econômicas, editais da FINEP e informações sobre empresas inovadoras, para oferecer uma leitura territorial do setor. O objetivo é identificar onde estão concentradas as empresas, quais regiões apresentam maior potencial de crescimento e de que forma o ecossistema tem acessado (ou deixado de acessar) instrumentos de fomento.
O lançamento acontece no momento em que a tecnologia se consolida como um dos principais motores da economia, mas ainda enfrenta desafios estruturais, como a distribuição desigual do desenvolvimento entre regiões e a dificuldade de acesso a políticas de incentivo.
Segundo o presidente da TI Rio, Alberto Blois, mais do que um retrato estático, o mapa funciona como uma ferramenta dinâmica de inteligência, capaz de transformar dados dispersos em insumos concretos para decisões empresariais, acadêmicas e de políticas públicas. “O que fizemos foi organizar dados públicos e transformá-los em uma visão analítica da realidade da tecnologia no estado. Isso permite que empresas planejem expansão, que investidores identifiquem oportunidades e que o poder público desenhe políticas mais assertivas”, afirma.
Para Rafael Nasser, diretor do Instituto ECOA PUC-Rio, a iniciativa também reforça um ponto central para o avanço da inovação: a integração entre universidade, setor produtivo e poder público, o chamado modelo da tripla hélice. “O Brasil tem políticas públicas robustas de incentivo à inovação, mas elas ainda não chegam de forma eficiente a grande parte das empresas de TIC. O desafio é conectar essas pontas, academia, empresas e governo, para que esse sistema funcione plenamente”, afirma.

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Ferramenta para decisões estratégicas
De acordo com os especialistas, na prática, o mapa tem múltiplas aplicações. Empresas podem identificar regiões com maior densidade de negócios ou disponibilidade de mão de obra qualificada; investidores conseguem avaliar vocações locais antes de alocar recursos e gestores públicos passam a ter base empírica para políticas de desenvolvimento regional.
“O mapa se torna uma ferramenta concreta para fundamentar decisões. Ele apoia desde uma estratégia de expansão empresarial até a criação de políticas públicas direcionadas, com base em evidências reais do território”, reforça Blois. Ele destaca ainda que o crescimento do setor não deve ser medido apenas pela abertura de empresas, mas pela capacidade de consolidá-las. “Mais importante do que criar novas empresas é fortalecer as que já existem, aumentar o faturamento, garantir longevidade e tornar esse ecossistema mais sustentável.”
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