Apenas 5,2% dos líderes de tecnologia confiam plenamente em explicar decisões tomadas por IA, revela estudo da FICO

Pesquisa da FICO revela que apenas 5,2% dos líderes de tecnologia confiam plenamente em explicar decisões de IA e aponta desafios para adoção responsável.

Pesquisa State of Responsible AI 2026 mostra desafios das empresas para ampliar transparência, confiança e retorno sobre investimentos em inteligência artificial

A adoção da inteligência artificial avança nas empresas, mas a confiança para explicar como a tecnologia toma decisões ainda é um dos principais desafios das organizações. Segundo a nova edição do relatório 2026 State of Responsible AI, desenvolvido pela FICO em colaboração com a Corinium Global Intelligence, apenas 5,2% dos líderes de tecnologia, risco e dados afirmam ter total confiança para explicar decisões orientadas por IA.

O estudo, que ouviu mais de mil executivos seniores globalmente, analisou como as organizações estão implementando práticas de inteligência artificial responsável, os resultados obtidos até agora e os obstáculos que ainda limitam o uso da tecnologia em larga escala.

Apesar dos bilhões investidos em inteligência artificial, a pesquisa revela que 71,5% das decisões com impacto direto no cliente ainda são tomadas sem o uso de IA. Para os especialistas, o cenário reforça a necessidade de aumentar a transparência, a auditabilidade e a explicabilidade dos modelos utilizados pelas empresas.

“A maioria das organizações consegue dizer onde e o que a IA decidiu. Muito poucas conseguem explicar o porquê“, afirma Scott Zoldi, Chief Analytics Officer (CAO) da FICO. “Isso revela a falta de padrões e técnicas de IA responsável, o que pesa diretamente na disposição das organizações de usar a IA em decisões que afetam os clientes. Com reguladores e clientes analisando de perto como a IA é usada nessas decisões, auditabilidade e explicabilidade se tornam inegociáveis.”

Transparência se torna prioridade para adoção da IA

Com o avanço das regulamentações de inteligência artificial em diferentes mercados, as empresas passam a buscar mecanismos que permitam compreender e justificar decisões tomadas por sistemas automatizados.

De acordo com o levantamento, 71,9% dos entrevistados apontam padrões para desenvolvimento de modelos de IA como uma das iniciativas com maior potencial de impacto, enquanto 67,9% destacam arquiteturas de modelos interpretáveis como uma prioridade.

As empresas também já adotam medidas para tornar seus sistemas mais confiáveis. Entre as práticas mais utilizadas estão ferramentas de detecção de viés, citadas por 58,8% dos participantes, e auditorias regulares dos modelos de IA, realizadas por 53,5% das organizações.

Empresas reconhecem retorno da IA, mas ainda dependem de processos tradicionais

Mesmo com os desafios de confiança, a inteligência artificial apresenta resultados positivos para boa parte das organizações. O estudo aponta que 85,1% dos líderes afirmam que a IA atendeu ou superou suas expectativas de retorno sobre investimento (ROI).

Ainda assim, grande parte das decisões empresariais continua baseada em métodos tradicionais, como julgamento humano (33,3%), sistemas baseados em regras (21,4%) e ferramentas de análise tradicional (16,8%).

Para ampliar o uso da tecnologia, as organizações precisam superar barreiras relacionadas à infraestrutura, integração de dados e preparação das equipes.

A pesquisa mostra que apenas 8,2% das empresas possuem uma plataforma única e compartilhada totalmente implementada para implantação de IA, enquanto 71,2% contam com uma solução parcialmente implementada.

Além disso, quase todos os entrevistados (96,4%) acreditam que uma colaboração mais próxima entre lideranças de IA e tecnologia, apoiada por uma plataforma compartilhada, poderia gerar retornos adicionais.

Falta de capacitação é apontada como principal risco para o futuro da IA

O estudo também analisou os desafios esperados para os próximos cinco anos. Para 63,2% dos líderes, o principal risco está no fato de as habilidades da força de trabalho não acompanharem a velocidade de adoção da inteligência artificial.

Em contrapartida, apenas 10,4% consideram a perda de controle sobre sistemas de IA um risco relevante, indicando que a maior preocupação das empresas está relacionada à preparação das equipes.

“Há um ano, havia sérias dúvidas sobre retornos da IA. Hoje, a principal questão enfrentada pelos executivos é como dimensionar a tecnologia em toda a empresa”, afirma Lariza Carrera, diretora de produção da Corinium Global Intelligence. “Cada vez mais, a resposta tem menos a ver com a tecnologia em si e mais a ver com as pessoas que a operam.”

IA agêntica ainda avança de forma limitada nas empresas

Apesar do crescimento das discussões sobre IA agêntica, a tecnologia ainda está em estágio inicial de adoção. O levantamento mostra que apenas 2,4% dos líderes de tecnologia afirmam ter implementado IA agêntica de forma ampla em casos de uso voltados para clientes.

Enquanto isso, 71,5% das organizações ainda estão em fases iniciais de exploração ou em projetos-piloto.

Entre os principais obstáculos para obter retorno com a tecnologia estão preocupações relacionadas à segurança (40,1%) e desafios de integração e qualidade dos dados (38,3%).

Para os próximos 18 meses, os líderes apontam que tecnologias como modelos de linguagem específicos por domínio (49,5%), IA generativa (48,7%) e arquiteturas de modelos interpretáveis (46,6%) devem gerar maior impacto nos negócios. A IA agêntica aparece na lista com 27,5% das citações.

“A IA agêntica ainda está em fase inicial de experimentação, e é exatamente quando a base preparatória é mais importante”, disse Rachael Hadaway, vice-presidente de produtos de IA da FICO. “Os líderes que estão investindo em segurança e integração de dados hoje estão construindo a base para a autonomia em escala.”

Pesquisa ouviu mais de mil líderes globais

Realizado pela Corinium em nome da FICO, o relatório 2026 State of Responsible AI entrevistou 1.004 líderes seniores das áreas de tecnologia, dados e risco, incluindo CTOs, CIOs, Chief Data Officers, Chief Digital Officers, Chief Analytics Officers, Chief AI Officers, Chief Risk Officers e executivos em posições de liderança.

A pesquisa reuniu profissionais de sete setores e teve participação global, com dois terços dos entrevistados localizados na América do Norte.

Como empresa especializada em tecnologia de decisões e análise preditiva, a FICO atua no desenvolvimento de soluções que ajudam organizações a transformar dados em decisões explicáveis, auditáveis e fundamentadas.

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Redação tecflow

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