
Em uma decisão histórica, o Banco Mundial anunciou que voltará a financiar projetos de energia nuclear, encerrando um hiato de mais de 60 anos e uma proibição formal que vigorava desde 2013. A mudança foi comunicada nesta quarta-feira (11) por meio de um e-mail interno enviado pelo presidente da instituição, Ajay Banga, e marca um novo capítulo nos esforços globais para atender à crescente demanda energética sem agravar a crise climática.
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“A instituição começará a reingressar no espaço da energia nuclear”, afirmou Banga no comunicado, destacando que a iniciativa será conduzida em parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas responsável por promover o uso seguro e pacífico da energia atômica.
Segundo o presidente, o foco será apoiar a extensão da vida útil de reatores em operação e promover investimentos em melhorias nas redes elétricas e na infraestrutura necessária para a operação segura da tecnologia nuclear. A decisão acompanha uma expectativa de duplicação da demanda de eletricidade nos países em desenvolvimento até 2035.
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O memorando interno também destaca que os investimentos anuais globais em geração de energia, redes e armazenamento deverão saltar dos atuais US$ 280 bilhões para cerca de US$ 630 bilhões nas próximas décadas. “O setor privado será essencial nesse processo, mas precisará de apoio, inclusive por meio de garantias e capital próprio providos pelo banco”, escreveu Banga.
Alinhamento político e estratégico
A decisão representa um reposicionamento do Banco Mundial em consonância com países como os Estados Unidos — que, sob influência da indústria nacional e diante da crescente concorrência da China e da Rússia, vêm promovendo a expansão nuclear — e com o novo governo da Alemanha, que abandonou sua oposição tradicional ao financiamento atômico por razões políticas internas.
Com isso, a instituição tenta equilibrar segurança energética e mitigação climática, reconhecendo que a energia nuclear, apesar dos riscos envolvidos, é uma das poucas fontes capazes de oferecer geração contínua sem emissões de gases de efeito estufa, substituindo termelétricas movidas a combustíveis fósseis.
Histórico de proibição
A última vez que o Banco Mundial financiou diretamente um projeto nuclear foi em 1959, na Itália. Desde então, o financiamento desse tipo de projeto foi evitado devido à resistência de países doadores, como a Alemanha, e às preocupações com acidentes graves, como os de Chernobyl (1986) e Fukushima (2011), especialmente em países com infraestrutura limitada ou pouca experiência tecnológica.
Reações e riscos
A retomada do financiamento nuclear reacende o debate sobre os riscos e benefícios da energia atômica. Especialistas alertam que, embora o setor tenha evoluído em termos de segurança, o risco de falhas catastróficas ainda existe — especialmente em nações com menor capacidade regulatória.
Ainda assim, há uma pressão crescente para diversificar as fontes de energia limpa e enfrentar a emergência climática. Como afirmou recentemente o CEO da COP30, “todos ignoram o custo da inação diante da crise climática”.
A decisão do Banco Mundial poderá influenciar outros bancos multilaterais de desenvolvimento e destravar bilhões de dólares em investimentos em países que antes estavam limitados ao carvão, petróleo e gás como únicas opções para expandir suas matrizes energéticas.
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Redação tecflow
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