
A adoção da inteligência artificial (IA) pelas empresas brasileiras ainda está em estágio inicial e pouco estruturado. É o que indica a pesquisa Panorama IA 2025, conduzida pela TOTVS em parceria com a H2R Insights & Trends. O levantamento mostra que metade das organizações no país ainda não aplica IA de forma consistente, enquanto somente 7% conseguem mensurar os resultados obtidos com os investimentos na tecnologia.
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Com base em entrevistas com 194 empresas de diversos setores, o estudo traça um retrato abrangente sobre o uso da IA no ambiente corporativo. Embora os números apontem para desafios significativos, também evidenciam uma grande oportunidade de evolução, já que 71% das companhias ainda se encontram nos estágios iniciais de implementação. Outras 25% estão em níveis intermediários, com projetos em andamento, mas sem consolidação, e apenas 4% já atingiram um nível avançado de integração da tecnologia em seus processos.
IA ainda é vista como ferramenta operacional
De acordo com Cristiano Nobrega, Chief Data & AI Officer (CDAIO) da TOTVS, as aplicações atuais da inteligência artificial nas empresas brasileiras têm foco principalmente na automação de tarefas e fluxos operacionais, em vez de promover mudanças estratégicas profundas. “Esse uso voltado ao suporte operacional mostra o momento atual da IA no país”, afirma Nobrega.

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Principais finalidades e ferramentas adotadas
O levantamento também identificou as principais finalidades da IA nas empresas brasileiras. A geração de conteúdo aparece no topo, presente em 33% das organizações, com utilização para criação de textos, e-mails, apresentações e resumos. Em seguida, está a produção de elementos visuais (29%), enquanto ferramentas voltadas para cibersegurança, com foco na detecção de comportamentos atípicos, são usadas por 21% das empresas. Os chatbots também são destaque, figurando em 20% dos negócios como recurso de atendimento ao cliente.
Entre as tecnologias mais utilizadas, soluções de IA conversacional, como ChatGPT, Gemini e Claude, são mencionadas por 40% das empresas entrevistadas. Já plataformas com IA incorporada vêm logo atrás, com 33% de presença.
Visão estratégica ainda é limitada
Apesar da crescente familiaridade com ferramentas de IA, a percepção de seu papel estratégico ainda é restrita. Apenas 20% das organizações enxergam a IA como altamente relevante para o desenvolvimento dos negócios, enquanto 42% a consideram pouco conectada com seus objetivos corporativos.
Outro dado relevante é que só 7% das empresas afirmam ter identificado retorno sobre os investimentos realizados em inteligência artificial. A grande maioria, 93%, não dispõe de métricas claras para acompanhar os resultados obtidos, o que compromete a efetividade e a expansão das iniciativas.
Barreiras para o avanço da inteligência artificial
A pesquisa também revela os principais obstáculos enfrentados pelas empresas na adoção da IA:
- Preocupações com segurança da informação, apontadas por 36% das organizações;
- Escassez de profissionais capacitados, citada por 35%;
- Dificuldades para mensurar o retorno financeiro, mencionadas por 32%;
- Resistência interna dos colaboradores às mudanças, indicada por 24%;
- Problemas de integração da IA com sistemas já existentes, observados por 23%;
- Falta de apoio da alta liderança, também apontada por 23%.
Esses fatores reforçam que a adoção da inteligência artificial não depende apenas da tecnologia em si, mas também de um alinhamento entre cultura organizacional, capacitação e visão estratégica. “É fundamental que todos os níveis de liderança e operação compreendam o papel da IA como alavanca de transformação. Só assim será possível explorar seu real potencial”, reforça Nobrega.
Um cenário de desafios, mas cheio de possibilidades
Mesmo diante das dificuldades, o Panorama IA 2025 aponta que há um caminho promissor para o uso mais estratégico da inteligência artificial no Brasil. A popularização de plataformas como ChatGPT e Gemini, aliada à expansão de soluções integradas com IA, amplia as oportunidades para que empresas ganhem eficiência, reduzam custos e modernizem suas operações.
Para isso, será necessário superar as barreiras estruturais e culturais, ampliar a formação de profissionais especializados e desenvolver métricas sólidas de desempenho e retorno. A adoção da IA, mais do que uma tendência, representa uma mudança profunda na forma como as organizações atuam e se posicionam no mercado, e o Brasil ainda tem muito a conquistar nesse novo cenário.
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Redação tecflow
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