
O mercado de criptomoedas amanheceu nesta sexta-feira (21) em seu momento mais crítico desde o colapso da FTX, em 2022. O Bitcoin (BTC), principal ativo digital do mundo, afundou para US$ 82.540 por volta das 6h50, acumulando queda de quase 10% em 24 horas e renovando o menor preço desde 10 de abril. Desde o pico registrado em 6 de outubro, o setor já perdeu US$ 1,5 trilhão em valor de mercado, desencadeando uma onda de aversão ao risco que atinge investidores no mundo todo.
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Nas últimas semanas, o BTC já recuou 23,8%, em meio a um movimento agressivo de liquidações no mercado futuro. Só nas últimas 24 horas, outros US$ 2 bilhões em posições alavancadas foram varridos, ampliando o impacto da sangria iniciada em outubro, quando US$ 19 bilhões já haviam sido eliminados de forma abrupta.
O tombo não é exclusivo do Bitcoin. As principais altcoins também desabam:
- Ethereum (ETH) caiu para US$ 2.684, acumulando queda de 10,8% no dia e 30,5% no mês.
- XRP (XRP) recua 9,7%.
- BNB (BNB) despenca 9,1%.
- Solana (SOL) perde 10,9%.
- Dogecoin (DOGE) cai 11,3%.
- Cardano (ADA) desaba 13,5%.
Zcash (ZEC) é a única que escapa, mantendo estabilidade próxima de zero, enquanto Bitcoin Cash (BCH) registra baixa mais moderada, de 7,1%.

Saída recorde de ETFs alimenta pânico
O ambiente institucional também pressiona o mercado. ETFs de Bitcoin listados nos EUA registraram US$ 903 milhões em saídas nesta quinta-feira — o segundo maior fluxo negativo desde o lançamento desses produtos em janeiro de 2024. O interesse aberto em futuros perpétuos já recuou 35% desde o pico de outubro, sinalizando perda de apetite dos investidores profissionais.

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Wall Street também entra no modo medo
O cenário global de risco se intensifica com a forte correção nas bolsas americanas. O S&P 500 caiu 1,6% na quinta-feira, enquanto o Nasdaq recuou 2,4%, apagando uma abertura promissora. O índice de volatilidade VIX disparou 12%, alcançando 26,4 — um patamar que não era visto desde momentos de forte estresse no mercado.
Segundo o Morgan Stanley, a reversão ocorreu mesmo com resultados sólidos da Nvidia. O banco afirma que, embora positivos, os números não trouxeram o “empurrão extra” que parte do mercado esperava, ampliando o temor de valuations esticados e de um ritmo mais lento de cortes de juros pelo Federal Reserve.
A crise cripto, afirma o banco, também se espalhou para setores sensíveis como data centers, mineração e infraestrutura digital, aumentando ainda mais a aversão ao risco.
Expectativa cautelosa pelo Fed
Apesar do tombo generalizado, os índices futuros dos EUA operam em alta nesta sexta-feira. Mesmo assim, a incerteza domina: investidores aguardam a próxima decisão do Federal Reserve, em dezembro. A probabilidade de um corte de juros diminuiu após o Departamento do Trabalho informar que o setor privado criou 119 mil vagas em setembro, muito acima das 50 mil previstas — um sinal de economia mais resistente e juros possivelmente mais altos por mais tempo.
Enquanto isso, o mercado de criptomoedas tenta encontrar um piso. Mas, com liquidações em massa, fuga institucional e bolsões de medo se formando nos EUA, muitos analistas acreditam que o pior pode ainda não ter acabado.
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Redação tecflow
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