
Levantamento inédito revela que França, China e Itália dominam os ventos brasileiros; pesquisadora da Unesp alerta para “mito do desenvolvimento sustentável” e processo de colonização energética.
O Nordeste brasileiro é, sem dúvida, a Arábia Saudita dos ventos. Responsável por mais de 90% da produção nacional de energia eólica, a região vive uma explosão de investimentos. No entanto, uma pergunta incômoda começa a ganhar força nos bastidores do poder: quem realmente está lucrando com o nosso vento?
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Um estudo revelador conduzido pela pesquisadora Monalisa Lustosa, doutoranda em Geografia na Unesp, traz dados que estão deixando especialistas em alerta. Segundo o levantamento, o controle nacional sobre essa riqueza é quase inexistente.
O mapa dos “donos do vento”
Os números são avassaladores. Atualmente, empresas estrangeiras detêm o controle de 68,9% dos parques eólicos instalados no Nordeste. Se somarmos o capital misto (participação nacional e internacional), o número sobe para quase a totalidade do setor, restando pouco espaço para o capital puramente brasileiro.

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Quem lidera a invasão verde?
- França: Ocupa o topo do ranking com 156 empreendimentos.
- China: Aparece em segundo lugar, com 117 parques.
- Itália: Fecha o pódio das potências estrangeiras com 94 usinas.
O “mito” do desenvolvimento sustentável

Enquanto o discurso oficial foca na transição energética e na preservação do planeta, a pesquisa de Lustosa propõe uma leitura muito mais ácida e crítica. Para a doutoranda, o Brasil está importando uma narrativa “colonizadora” vinda dos países ocidentais.
Ela classifica a atual agenda como o “mito do desenvolvimento sustentável”. Segundo a pesquisadora, o valor gerado por essa expansão não está ficando nas comunidades locais. Pelo contrário, o Nordeste concentra as outorgas e a geração, mas a captura do valor econômico atravessa o oceano.
O que vem por aí?
A tese de Lustosa resultará em um mapa interativo que permitirá a qualquer cidadão identificar a localização exata das usinas e, principalmente, quem são seus controladores reais.
O debate agora ganha contornos de soberania nacional: até que ponto a transição para energias renováveis deve ser entregue integralmente a mãos estrangeiras? A resposta pode definir o custo da sua conta de luz e o futuro econômico da região mais promissora do Brasil nos próximos anos.
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Redação tecflow
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