Mapa da energia renovável no Brasil: conheça os principais projetos por região

Com matriz cada vez mais diversificada, o Brasil consolida sua liderança no segmento, impulsionando projetos solares, eólicos e hidrelétricos em todas as regiões

O avanço da energia renovável no Brasil ganhou tração nos últimos anos e colocou o país entre os líderes mundiais no setor. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mais de 87% da matriz elétrica brasileira já é composta por fontes renováveis, um índice superior à média global, de cerca de 30%. Com o impulso de grandes projetos solares, eólicos, hidrelétricos e de biomassa, o país agora vive uma nova corrida pela expansão de infraestrutura nas cinco regiões, desenhando um mapa energético diverso, competitivo e estratégico para a transição climática.

A consolidação da energia renovável no Brasil é resultado de um conjunto de fatores: vantagens naturais, políticas públicas de estímulo, amadurecimento regulatório e entrada de grandes empresas e investidores no setor. Desde a última década, o país acelerou a diversificação da matriz elétrica, passando a incorporar em larga escala parques solares e eólicos, que hoje figuram entre os maiores da América Latina.

Ao mesmo tempo, as hidrelétricas, fonte histórica de abastecimento, seguem desempenhando papel estratégico na confiabilidade do sistema, garantindo regularidade de vazões e flexibilidade para acomodar fontes intermitentes. É nessa combinação de tradição e inovação que o Brasil constrói um modelo energético robusto, para responder à crescente demanda elétrica, atender compromissos climáticos e criar oportunidades de desenvolvimento regional.

Confira o panorama detalhado dos projetos mais relevantes no Brasil, por região, destacando tendências e avanços tecnológicos.

Nordeste: a usina de vento e sol do país

Conjunto Eólico Umburanas

Conjunto Eólico Umburanas (Foto: Eduardo Nazarini/ ENGIE Brasil)

A região Nordeste é considerada o principal motor da expansão da energia complementar no Brasil, impulsionada pela combinação de ventos constantes e alta irradiação solar ao longo de quase todo o ano. Segundo a Aneel, atualmente mais de 85% da produção eólica nacional está concentrada na região, que se tornou uma referência internacional para esse tipo de geração. Estados como Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará lideram a instalação de turbinas, formando verdadeiros corredores de vento capazes de abastecer milhões de consumidores.

Dentre os complexos eólicos, se destacam os conjuntos Serra do Assuruá, Santo Agostinho e Umburanas, da ENGIE, que ampliam a oferta renovável e consolidam o protagonismo nordestino no setor. 

No caso da energia solar, a região também abriga alguns dos maiores complexos fotovoltaicos do continente, com destaque para projetos no Piauí e na Bahia. O Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, maior projeto solar da ENGIE no mundo, e o Complexo Solar São Gonçalo, no Piauí, exemplificam o avanço desta fonte na região.

Com linhas de transmissão em expansão, como o projeto Asa Branca, da ENGIE, na Bahia, e crescente interesse de investidores nacionais e estrangeiros, o Nordeste se posiciona como peça estratégica para o futuro da transição energética brasileira e também como potencial exportador de energia renovável e hidrogênio verde.

Norte: grandes hidrelétricas e o avanço da energia solar em áreas remotas

Usina Hidrelétrica Jirau

Usina Hidrelétrica Jirau (Foto: ENGIE Brasil)

A região Norte é historicamente marcada pela presença de grandes hidrelétricas, que desempenham papel essencial na segurança energética do país. Entre elas, a Usina Hidrelétrica de Jirau, que entre 2013 e 2025, alcançou 159.019.233,14 MWh gerados e exerce papel estratégico para a segurança energética nacional. 

Outros destaques locais são as usinas Santo Antônio do Jari, localizada nos Estados do Amapá e do Pará, e a Usina Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, no Estado do Amapá, além de Belo Monte e Tucuruí. 

Com reservatórios de grande porte e capacidade de regularização, essas usinas garantem estabilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente em períodos de menor geração eólica e solar. Também se destaca, na região, o sistema de transmissão Novo Estado, localizado nos estados de Tocantins e Pará, que garante o escoamento da energia gerada pelas grandes hidrelétricas.

A região também tem experimentado um avanço significativo da energia solar, especialmente em localidades isoladas onde o diesel ainda predomina na geração elétrica. Projetos fotovoltaicos instalados em comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas vêm substituindo gradualmente sistemas que funcionam com combustíveis fósseis, reduzindo custos, emissões e aumentando a autonomia energética dessas populações.

Centro-Oeste: biomassa consolidada e solar em rápido crescimento

Plantação de cana de açúcar em ângulo aproximado para retratar o uso do produto na biomassa.

Foto: jeep2499/ Shutterstock

O Centro-Oeste se destaca por uma particularidade: sua matriz renovável está profundamente ligada ao agronegócio. A biomassa, derivada de resíduos de cana, representa parcela significativa da geração elétrica regional, com forte presença em Goiás e Mato Grosso. Usinas termelétricas integradas à cadeia sucroenergética operam com eficiência crescente, transformando resíduos agrícolas em eletricidade e reforçando a vocação produtiva da região.

O avanço do biogás e do biometano, derivados destes resíduos agropecuários, também aparece como tendência emergente no Centro-Oeste, reforçando a ideia de uma matriz cada vez mais integrada ao perfil econômico da região. Trata-se de um território onde o campo e a energia caminham lado a lado, impulsionando inovação e sustentabilidade.

Paralelamente, a energia solar vive uma fase de forte expansão. O estado de Goiás, por exemplo, ultrapassou a marca de 2 GW instalados, somando geração centralizada e distribuída.

A região ainda conta com a Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra (MT), que há duas décadas contribui para a estabilidade do sistema elétrico regional, e a Usina Hidrelétrica de Cana Brava, no Rio Tocantins, em Goiás, ambas operadas pela ENGIE. Cana Brava, inclusive, foi o primeiro empreendimento da ENGIE no Brasil em geração de energia, tendo entrado em operação em 2002, com concessão até 2033.

Sudeste: inovação e hidrelétricas estratégicas

Vista aérea da Usina Hidrelétrica Jaguara localizada no Rio Grande

Usina Hidrelétrica Jaguara (ENGIE Brasil)

O Sudeste ocupa uma posição singular no mapa energético brasileiro: concentra o maior consumo do país e, ao mesmo tempo, abriga algumas das hidrelétricas mais importantes do sistema. Em Minas Gerais, por exemplo, unidades como a Usina Hidrelétrica Jaguara e a Usina Hidrelétrica Miranda, ambas assumidas pela ENGIE em leilões, se destacam. 

Já os estados de São Paulo e Espírito Santo vêm ampliando projetos experimentais de armazenamento de energia por baterias, uma tecnologia que deve ganhar relevância nos próximos anos.

Além disso, o Sudeste concentra estudos e projetos relacionados à descarbonização industrial, à eletromobilidade e à digitalização do setor elétrico. É uma região que conecta tradição hidrelétrica, modernização e crescente demanda por soluções tecnológicas avançadas.

Sul: hidrelétricas históricas, eólica de alta performance e novos polos solares

Usina Hidrelétrica Machadinho

Usina Hidrelétrica Machadinho (Foto: ENGIE Brasil)

A região Sul reúne uma matriz energética diversificada, marcada pela coexistência de hidrelétricas consolidadas, parques eólicos competitivos e uma expansão acelerada da energia solar. No Sul, a ENGIE opera hidrelétricas históricas como Salto Osório, Salto Santiago, Itá, Passo Fundo e Machadinho, que seguem desempenhando papel estratégico no fornecimento regional, além de integrar o sistema de transmissão Gralha Azul, responsável por ampliar a confiabilidade da rede e viabilizar a expansão de novas fontes renováveis.

Gralha Azul, inclusive, foi um dos exemplos de sucesso no relatório do Sustainable Business (SB) COP, durante a COP30, realizada em novembro de 2025.

O Rio Grande do Sul, por sua vez, tornou-se protagonista na energia eólica, beneficiado por fatores de capacidade acima da média brasileira. Grandes complexos instalados no estado já começam a se integrar a projetos de longo prazo voltados ao desenvolvimento da cadeia do hidrogênio verde, considerada uma das fronteiras da transição energética.

Perspectiva global

A evolução da matriz renovável brasileira não acontece de forma isolada: ela acompanha e, em alguns aspectos, lidera um movimento global de transformação do setor de energia. É fato que à medida que países buscam reduzir suas emissões, reforçar a segurança energética e acelerar seus compromissos climáticos, a demanda por soluções limpas, flexíveis e economicamente competitivas, cresce.

No cenário internacional, mercados como União Europeia, Estados Unidos e China intensificam investimentos em geração renovável, eletrificação do transporte, captura de carbono e digitalização do sistema elétrico. Essas frentes apontam para um futuro em que a energia será mais descentralizada, conectada e orientada por dados.

fonte.

Faça como os mais de 10.000 leitores do tecflow, clique no sino azul e tenha nossas notícias em primeira mão! Confira as melhores ofertas de celulares na loja parceira do tecflow.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.

Mais acessados

Dicas e Tutoriais

SmartPhones & Tablets

Mercado & Tecnologia

Consoles e Games

Ciência & Espaço

Eventos

Quem Somos

Tecflow é um website focado em notícias sobre tecnologia com resenhas, artigos, tutoriais, podcasts, vídeos sobre tech, eletrônicos de consumo e mercado B2B.

Siga Tecflow em:

Parceiro Autthentic

error: Content is protected !!