Uso de biometria contra fraudes no Brasil supera média global, aponta estudo

88% das empresas demonstram preocupação com ataques de IA

Brasil, 14 de abril de 2026 – Lançado hoje, o relatório global The State of Biometric Security in the Age of AI Fraud, da Aware, Inc. (NASDAQ: AWRE), revela que o Brasil está acima da média global na adoção de biometria para prevenção de fraudes, ao mesmo tempo em que enfrenta o avanço de ataques baseados em inteligência artificial.

Segundo o estudo, 70,7% das organizações brasileiras utilizam biometria especificamente para combater fraudes de identidade, acima da média global, que supera os 60%. O interesse em evoluir essa estratégia também é elevado: 98% das empresas no país demonstram interesse em orquestração biométrica. Ainda assim, o nível de preocupação com ameaças é significativo: 88% dos respondentes afirmam estar preocupados com ataques de IA contra sistemas biométricos.

“Organizações já não discutem mais se devem usar biometria, mas como torná-la mais eficiente em ambientes cada vez mais complexos”, afirma Mario Cesar, VP Latam da Aware, Inc. “A necessidade de integrar diferentes tecnologias e responder rapidamente a novas ameaças está acelerando a adoção de plataformas de orquestração inteligentes.”

Ataques com IA já geram perdas relevantes para empresas no Brasil

Cerca de 30% das organizações relatam ter sofrido fraudes com uso de IA nos últimos 12 meses, enquanto globalmente esse número se aproxima de 50%.

Quando os ataques ocorrem, no entanto, os impactos seguem tendência semelhante à observada em outros mercados. Entre as empresas brasileiras afetadas, 46,7% relatam perda de receita, 37,8% apontam danos à reputação e 62,2% registram custos relacionados à responsabilidade.

Alta adoção expõe diferentes níveis de maturidade

O estudo também mostra que o Brasil acompanha uma tendência global de rápida adoção acompanhada por desafios operacionais. Hoje, 80,7% das empresas já incluem biometria ou liveness em estratégias antifraude, enquanto 91,3% possuem planos para lidar com fraudes baseadas em IA. 

Ao mesmo tempo, 48,7% utilizam inteligência artificial de forma extensiva em produção, indicando diferentes níveis de maturidade na adoção dessas tecnologias. O cenário reforça um gap entre estratégia e execução.

O estudo também aponta que o investimento em biometria já é significativo no país. Cerca de 60% das organizações brasileiras destinam entre US$ 138 mil e US$ 688 mil por ano para tecnologias biométricas, enquanto 26,7% investem entre US$ 688 mil e US$ 1,4 milhão.

Fragmentação de fornecedores aumenta complexidade

Assim como no restante do mundo, empresas brasileiras operam em ambientes fragmentados. Enquanto globalmente as organizações utilizam, em média, três fornecedores de biometria, no Brasil mais de 40% já trabalham com quatro ou mais provedores.

Esse modelo pode ampliar a robustez da segurança, mas também traz desafios relacionados à integração, consistência de performance e gestão de dados, fatores que ajudam a explicar a busca crescente por soluções de orquestração.

Privacidade segue no centro da discussão

As preocupações das empresas brasileiras também refletem o debate global sobre segurança e uso de dados. Os principais receios incluem vazamento e segurança de dados (54,7%), uso indevido de informações pessoais (54,7%) e confiabilidade da tecnologia (54%).

Ao mesmo tempo, 100% das organizações brasileiras afirmam confiar em suas estratégias de armazenamento de dados biométricos, indicando um nível elevado de maturidade percebida, ainda que convivendo com preocupações relevantes.

Orquestração biométrica se consolida como próximo passo

Diante da combinação entre alta adoção, múltiplos fornecedores e avanço das ameaças, a orquestração biométrica surge como resposta à crescente complexidade operacional e sofisticação das fraudes. O interesse permanece elevado, refletindo a necessidade de integrar tecnologias, automatizar decisões e responder com mais agilidade a ataques cada vez mais sofisticados.

“Deepfakes e ataques impulsionados por inteligência artificial estão mudando fundamentalmente a forma como a identidade pode ser manipulada”, diz Maxine Most, CEO do The Prism Project. “Para acompanhar esse ritmo, as organizações precisam repensar como a identidade é protegida e investir em sistemas inteligentes. A orquestração biométrica é uma camada crítica que integra esses sistemas em uma defesa coesa e eficaz.”

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