Banco Central pode limitar o Pix de bancos e fintechs; veja quem pode ser afetado pelas novas regras

O Banco Central (BC) prepara um novo endurecimento das regras do Pix após uma sequência de ataques cibernéticos que desviaram mais de R$ 1,5 bilhão do sistema financeiro brasileiro nos últimos 12 meses. A medida poderá restringir ou até suspender o acesso ao sistema de pagamentos instantâneos para bancos e fintechs que não comprovarem níveis adequados de segurança digital.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o objetivo é aumentar a proteção do ecossistema financeiro diante do crescimento das fraudes eletrônicas, que passaram a preocupar ainda mais o regulador.

Bancos poderão sofrer restrições no Pix

Caso o Banco Central identifique falhas relevantes nos controles de segurança, as instituições financeiras poderão sofrer uma série de penalidades.

Entre elas estão:

  • Limitação do valor das transações via Pix;
  • Restrição de funcionamento em determinados horários, principalmente durante a madrugada;
  • Suspensão temporária da participação no sistema Pix;
  • Proibição de captar novos clientes;
  • Aplicação de multas;
  • Abertura de processos administrativos sancionadores.

Na prática, bancos e fintechs considerados mais vulneráveis poderão operar com regras mais rígidas até que comprovem a correção das falhas.

Ataques hackers fizeram BC mudar de estratégia

O endurecimento ocorre após uma sucessão de ataques cibernéticos que evidenciaram vulnerabilidades no sistema financeiro.

O episódio mais emblemático aconteceu em 2025, quando criminosos exploraram falhas em uma provedora de tecnologia responsável por conectar pequenas instituições financeiras aos sistemas do Banco Central, desviando cerca de R$ 800 milhões.

Desde então, o regulador passou a monitorar de forma muito mais rigorosa toda a infraestrutura tecnológica utilizada pelas instituições participantes do Pix.

Número de fraudes cresce rapidamente

Dados levantados pelo Banco Central mostram uma mudança importante no perfil dos incidentes.

Enquanto em 2024 apenas uma pequena parcela dos registros estava relacionada a fraudes, em 2025 elas passaram a representar mais da metade dos casos.

Em 2026, o cenário ficou ainda mais preocupante.

Até maio, dos 43 incidentes reportados ao BC, 34 estavam ligados diretamente a fraudes cibernéticas, indicando que os ataques estão se tornando mais sofisticados.

Segundo a autoridade monetária, parte desse crescimento também está relacionada ao aumento da capacidade de monitoramento e à exigência de comunicação obrigatória de praticamente todos os incidentes, inclusive os considerados menores.

Banco Central faz pente-fino em quase 1.800 instituições

Como parte da nova estratégia, o Banco Central enviou um amplo questionário para 1.745 instituições financeiras autorizadas, incluindo bancos, cooperativas de crédito, instituições de pagamento e fintechs.

O levantamento busca verificar o cumprimento das normas de segurança cibernética, especialmente as exigências previstas no Manual de Segurança do Pix.

Caso sejam encontradas inconsistências entre as respostas enviadas e os dados monitorados pelo próprio BC, novas auditorias poderão ser realizadas.

Certificados digitais estão no foco da fiscalização

Uma das principais vulnerabilidades identificadas pelo regulador envolvia o armazenamento inadequado dos certificados digitais utilizados para autorizar operações financeiras.

Em alguns casos, bancos deixavam essas credenciais sob responsabilidade de empresas terceirizadas de tecnologia.

Na prática, isso equivalia a entregar a “chave do cofre” para terceiros, permitindo que criminosos utilizassem essas credenciais em ataques sofisticados.

Após os incidentes, o Banco Central passou a exigir que esses certificados permaneçam exclusivamente sob controle das instituições financeiras.

Segurança virou prioridade para bancos

A preocupação crescente também levou o setor financeiro a aumentar os investimentos em tecnologia.

Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os investimentos em tecnologia chegaram a R$ 46,8 bilhões em 2025.

Para 2026, a previsão é ultrapassar R$ 50 bilhões, com foco especial em:

  • inteligência artificial para detecção de fraudes;
  • autenticação reforçada;
  • monitoramento em tempo real;
  • proteção contra ataques hackers;
  • gestão de identidade digital.

O Pix continua seguro?

Apesar do aumento das fraudes, especialistas ressaltam que os ataques normalmente exploram vulnerabilidades internas das instituições financeiras, e não falhas estruturais do próprio sistema Pix.

Segundo o Banco Central, o objetivo das novas medidas é justamente impedir que instituições com controles insuficientes coloquem em risco todo o ecossistema financeiro.

A expectativa é que o reforço na fiscalização e a possibilidade de punições mais severas incentivem bancos e fintechs a elevar seus padrões de segurança, reduzindo o impacto de futuros ataques cibernéticos e aumentando a proteção para milhões de usuários do Pix no Brasil.

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Redação tecflow

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