
Por Diego Nunes, Coordenador Comercial da TelCables Brasil
Todos os dias, bilhões de pessoas enviam mensagens, assistem a vídeos, fazem videoconferências, utilizam aplicações de inteligência artificial e acessam serviços em nuvem. A experiência parece instantânea: um clique e a informação aparece na tela. Mas poucos se perguntam qual caminho esse dado percorre até chegar ao seu destino.
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A resposta revela uma das infraestruturas mais estratégicas e menos visíveis da economia digital. Quando um usuário em São Paulo acessa uma plataforma hospedada em um data center nos Estados Unidos ou na Europa, seus dados não viajam pelo espaço através de satélites, como muitos imaginam. Na verdade, a maior parte dessa jornada acontece por meio de uma extensa rede de cabos submarinos de fibra óptica instalados no fundo dos oceanos, conectando continentes e sustentando a internet global.
A relevância dessa infraestrutura nunca foi tão grande. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (ITU), o número de usuários de internet no mundo chegou a aproximadamente 6 bilhões de pessoas em 2025, o equivalente a cerca de 75% da população global. Ao mesmo tempo, a cobertura 5G já alcança mais da metade da população mundial e representa mais de um terço das assinaturas globais de banda larga móvel.
Por trás desse crescimento está uma transformação ainda mais profunda: a ascensão da inteligência artificial. Modelos generativos, plataformas de análise avançada e aplicações corporativas baseadas em IA dependem de enormes volumes de processamento e armazenamento, concentrados em data centers distribuídos globalmente.

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Uma relação estreita, mas que muita gente desconhece
Essa nova realidade cria uma relação cada vez mais estreita entre data centers e cabos submarinos. Cada consulta realizada em uma ferramenta de IA, cada sincronização de dados entre nuvens e cada operação digital internacional gera tráfego que precisa ser transportado com velocidade, segurança e baixa latência. E é justamente nesse ponto que os cabos submarinos assumem papel central.
Estudos recentes indicam que mais de 95% do tráfego internacional de dados ocorre por redes submarinas de fibra óptica, tornando essa infraestrutura essencial para o funcionamento da economia digital, dos mercados financeiros, dos serviços públicos e das comunicações globais.
O que muitas vezes passa despercebido é que a experiência digital depende de uma cadeia altamente integrada. A jornada de um dado começa no dispositivo do usuário, segue por redes metropolitanas e backbones terrestres, alcança estações de aterragem de cabos submarinos e atravessa oceanos até chegar a grandes hubs de conectividade e data centers. Em seguida, o caminho é percorrido novamente em sentido inverso para entregar a resposta ao usuário em questão de milissegundos.
Quanto mais aplicações em tempo real surgem, maior se torna a importância dessa infraestrutura. Inteligência artificial, internet das coisas, serviços financeiros digitais, streaming em alta definição e computação em nuvem exigem não apenas capacidade de processamento, mas também rotas internacionais resilientes e de alta capacidade.
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Cenário que movimenta trilhões
Esse cenário ajuda a explicar por que os investimentos globais em infraestrutura digital estão acelerando. De acordo com a GSMA, as tecnologias e serviços móveis já geram cerca de US$ 6,5 trilhões em valor econômico global, representando aproximadamente 5,8% do PIB mundial. A expectativa é que esse impacto alcance quase US$ 11 trilhões até 2030, impulsionado principalmente pela expansão de 5G, internet das coisas e inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, órgãos internacionais alertam para a necessidade de ampliar a infraestrutura digital de forma equilibrada. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) destaca que data centers, conectividade internacional e capacidade computacional estão se tornando ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e para a competitividade dos países na nova economia digital.
Nesse contexto, a América Latina possui uma oportunidade única. O crescimento de investimentos em data centers na região, especialmente no Brasil, aumenta a necessidade de novas rotas internacionais, maior capacidade de transmissão e redes mais resilientes. Essa dinâmica ganha ainda mais relevância em mercados com forte expansão de infraestrutura local, como a região Nordeste, que historicamente atua como o principal ponto de ancoragem para as rotas que conectam o país ao ecossistema global.
O amadurecimento digital de estados como Pernambuco exemplifica essa importância. O avanço de indústrias modernas, startups e o ecossistema de tecnologia em Recife geram um volume massivo de dados que demanda redes de alta capacidade e baixa latência. Com isso, a sustentabilidade e o crescimento dos provedores de internet (ISPs) regionais passam a depender diretamente da descentralização da infraestrutura, permitindo que levem soluções corporativas de nuvem e segurança até a ponta, fidelizando clientes e impulsionando a economia local.
A inteligência artificial costuma ocupar as manchetes, mas sua existência em escala depende de uma infraestrutura muito mais ampla. Antes que um algoritmo gere uma resposta, antes que um vídeo seja carregado ou que uma transação financeira seja concluída, existe uma longa jornada invisível percorrida por aquele dado. Uma jornada que atravessa cidades, países e oceanos.

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Redação tecflow
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