
A explosão da inteligência artificial, da computação em nuvem, do streaming e das aplicações que exigem processamento em tempo real está transformando a infraestrutura da internet em um dos ativos mais estratégicos da economia digital. Com o tráfego de dados crescendo em ritmo acelerado, empresas, provedores e data centers enfrentam o desafio de ampliar a capacidade das redes sem comprometer desempenho, latência e disponibilidade.
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Nesse cenário, a parceria entre a DE-CIX, maior operadora de Internet Exchange (IX) do mundo, e a OpenX pretende ampliar o acesso de cerca de 100 redes brasileiras, que atendem entre 6 e 8 milhões de usuários, ao ecossistema global de interconexão da companhia. Na prática, a iniciativa promete aproximar provedores regionais de grandes plataformas de nuvem, redes internacionais e provedores globais de conteúdo, reduzindo a latência e aumentando a eficiência da troca de tráfego.
Mas os impactos vão além da conectividade. A expansão da infraestrutura de interconexão também é vista como um passo essencial para sustentar o avanço da inteligência artificial no Brasil, uma vez que aplicações baseadas em IA dependem de conexões rápidas, resilientes e de alta capacidade entre empresas, data centers e provedores de nuvem.
Em entrevista exclusiva ao tecflow, Darwin da Costa, Diretor Regional da DE-CIX Brasil e América do Sul, explica como a parceria com a OpenX pode acelerar a transformação digital no país, quais setores devem colher os maiores benefícios da redução da latência, os desafios para expandir a infraestrutura digital além dos grandes centros e por que o Brasil tem potencial para se consolidar como um dos principais polos de interconexão da América Latina.

Darwin da Costa, Diretor Regional da DE-CIX Brasil e América do Sul: A parceria entre DE-CIX e OpenX promete ampliar o acesso de redes regionais ao ecossistema global de interconexão. Na prática, quais serão os principais ganhos para provedores de internet e empresas que atuam fora dos grandes centros?
Na prática, a parceria coloca redes de todo o Brasil, inclusive as que operam fora dos grandes centros, dentro do ecossistema global de interconexão da DE-CIX através da OpenX, que já conecta cerca de 100 redes e atende entre 6 e 8 milhões de usuários finais em todo o país. Isso significa entrada direta em soluções de peering e conectividade em nuvem, redução de latência no tráfego com provedores globais de conteúdo e nuvem, e acesso a SLAs de nível corporativo que antes eram mais restritos a operadoras de maior porte. Para os provedores regionais, significa ganhar acesso mais direto a redes globais, plataformas de nuvem e provedores de conteúdo, contribuindo para melhorar desempenho, resiliência e a experiência geral do usuário final.
tecflow: O crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e do streaming está elevando a demanda por infraestrutura de rede. Como a DE-CIX enxerga a evolução desse cenário no Brasil nos próximos anos e quais investimentos serão necessários para acompanhar esse crescimento?
Darwin da Costa: A economia digital brasileira segue em expansão acelerada, impulsionada pela demanda crescente por nuvem, streaming, jogos e outras aplicações intensivas em dados, incluindo IA. À medida que as cargas de trabalho de IA se tornam mais distribuídas, a interconexão ganha importância crescente para viabilizar a troca eficiente de dados entre empresas, plataformas de nuvem, redes e data centers. Para acompanhar esse ritmo, o país tem uma agenda clara pela frente: ampliar a capacidade de data centers para além do Sudeste, investir em backbone de fibra e em pontos de interconexão neutros que aproximem os provedores regionais dos grandes hubs de tráfego, e modernizar a infraestrutura de energia que sustenta esse tipo de operação, já que o processamento intensivo de IA e nuvem exige capacidade elétrica cada vez mais robusta e estável.
Investimento contínuo em infraestrutura digital, capacitação de mão de obra e um ambiente de inovação favorável serão importantes para sustentar esse crescimento. O Brasil já mostrou, nos últimos anos, que tem escala, apetite de mercado e maturidade digital para sustentar esse avanço, e a leitura da DE-CIX é otimista. Com iniciativa privada e políticas públicas caminhando na mesma direção, o país tem tudo para se consolidar como um dos grandes polos de interconexão e infraestrutura digital da América Latina.
tecflow: A infraestrutura da DE-CIX no Brasil conecta São Paulo e Rio de Janeiro diretamente à América do Norte e à Europa. Existem planos para expandir essa presença para outras regiões do país?
Darwin da Costa: A infraestrutura em São Paulo e no Rio de Janeiro foi projetada como uma plataforma totalmente interconectada e escalável, com ligações diretas à América do Norte e à Europa. Esse modelo dá à DE-CIX flexibilidade para acompanhar a demanda onde ela surgir. No momento, não temos nenhum anúncio de expansão para compartilhar. Nosso foco atual está em apoiar o crescimento dos clientes e maximizar o valor da plataforma já estabelecida no Brasil.

tecflow: A redução da latência é um dos principais benefícios da interconexão direta. Quais setores da economia brasileira devem sentir os maiores impactos positivos com essa parceria entre DE-CIX e OpenX?
Darwin da Costa: A redução de latência tende a beneficiar de forma mais direta os setores em que milissegundos afetam a experiência ou a operação: serviços financeiros e fintechs, que dependem de transações em tempo real; streaming e games, sensíveis à qualidade de entrega; e-commerce e varejo digital, na experiência de checkout e recomendação; e aplicações de IA que exigem processamento em nuvem com resposta rápida. À medida que a infraestrutura de interconexão amadurece, setores como saúde digital e logística também devem sentir esse efeito, dada a crescente dependência de dados em tempo real.
LEIA MAIS:
tecflow: O mercado brasileiro de Internet Exchange e interconexão tem se tornado cada vez mais estratégico para a economia digital. Como a DE-CIX avalia o potencial de crescimento desse segmento no país e quais são os principais desafios para acelerar essa evolução?
Darwin da Costa: O mercado brasileiro de interconexão está em um ponto de inflexão: a demanda por nuvem, conteúdo e IA cresce mais rápido do que a infraestrutura historicamente disponível fora dos grandes centros. A DE-CIX enxerga oportunidades significativas para ampliar ainda mais as opções de conectividade para redes e empresas, especialmente fora dos maiores polos metropolitanos. E é justamente aí que parcerias como a com a OpenX atuam. Os principais desafios para acelerar essa evolução envolvem ampliar a presença de infraestrutura neutra em mais regiões do país, atrair investimento em capacidade de rede e formar parcerias locais que conectem provedores regionais ao ecossistema global, sem depender exclusivamente de rotas internacionais mais longas e caras.
Cada vez mais, economias digitais competitivas não se definem apenas pelo acesso à conectividade, mas pela qualidade da interconexão entre redes, plataformas de nuvem, empresas e serviços digitais. Isso é particularmente importante para aplicações baseadas em IA, que dependem de troca de dados rápida, segura e eficiente.
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Marciel
Formado em Jornalismo, o editor atua há mais de 10 anos na cobertura de notícias relacionadas ao mercado B2B. Apesar de toda a Transformação Digital, ainda prefere ouvir música de forma analógica, no toca-discos.
